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Lula em Washington: “Acredito muito mais no diálogo do que na guerra”

Publicado em 08/05/2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por Redação

Em visita oficial marcada pela diplomacia direta e sugestões inusitadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7). Após três horas de agendas na Casa Branca, incluindo uma conversa no Salão Oval e um almoço de trabalho, Lula concedeu entrevista coletiva onde reafirmou sua vocação pacifista e defendeu uma reforma profunda na governança global.

O tom do encontro foi resumido por um episódio curioso relatado pelo próprio Lula. No momento da foto oficial, ao perceber o semblante rígido do líder americano, o brasileiro recomendou: “Ria, ria um pouco. Alivia a alma”. Segundo o presidente, a descontração é ferramenta política: “Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Um dos temas centrais da reunião foi a paralisia das Nações Unidas diante dos conflitos globais. Lula dirigiu-se diretamente a Trump — e, por extensão, aos demais membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Rússia, França e Reino Unido) — cobrando responsabilidade histórica.

Poder e Veto: Lula criticou o fato de apenas cinco países deterem o direito de veto, enquanto o restante do mundo atua como “coadjuvante”.

Expansão Necessária: O presidente brasileiro defendeu a inclusão de nações como Brasil, Índia, Alemanha, Japão, Egito e África do Sul no Conselho.

Eficácia: “Se a ONU funcionasse bem, poderia acabar com metade dos conflitos armados na África”, pontuou o mandatário.

“Ninguém sabe como termina uma guerra. Por isso, conversar é muito mais barato e eficaz. Não tem vítima, não tem destruição de casas nem morte de crianças”, afirmou Lula.

Na pauta econômica, Lula reforçou o interesse em atrair investimentos americanos, especialmente voltados para a transição energética e tecnologia. No entanto, impôs condições claras sobre a construção de Datacenters no território brasileiro.

O presidente afirmou que o Brasil não aceitará ser apenas um hospedeiro de dados para outros países. “Quem quiser fazer data center no Brasil, tem que produzir sua própria energia. Queremos dados para nós”, declarou, enfatizando que o país deve ser o protagonista e principal beneficiário de suas riquezas naturais e potencial energético.

Relação com Trump e Eleições Brasileiras

Indagado sobre uma possível interferência de Donald Trump no processo eleitoral brasileiro de 2026, Lula minimizou os riscos, citando a soberania do eleitorado nacional.

“Se ele tentou interferir em 2018, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições. Eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino”, afirmou. Ele classificou a relação atual com Trump como “muito boa” e “sincera”, baseada no respeito mútuo.

Sobre a situação de Cuba, Lula colocou-se à disposição para atuar como mediador, caso os EUA queiram discutir o fim do embargo. O presidente brasileiro revelou ter ouvido de Trump que o americano não planeja uma invasão à ilha.

“Cuba quer encontrar uma solução para colocar fim a um bloqueio que nunca deixou o país ser completo e livre. É o bloqueio mais longevo da história da humanidade”, disse Lula, estendendo a oferta de diálogo também para temas envolvendo Venezuela e Irã.

Em relação às terras raras e minerais críticos, Lula foi enfático ao dizer que o comportamento do Brasil mudou. O país não aceitará mais ser um mero exportador de matéria-prima bruta, como ocorreu historicamente com o ouro e o ferro. “Queremos um processo de transformação interna. O Brasil está aberto a parcerias com EUA, China ou Alemanha, desde que o Brasil seja soberano e o grande ganhador dessa riqueza”, concluiu.

Ao encerrar a coletiva, Lula reiterou que a diplomacia é a única via para a harmonia mundial. “O mundo não precisa de guerra. Precisa de paz”, finalizou o presidente antes de deixar a capital americana.

Veja coletiva de imprensa na íntegra:

Fonte: Agência Gov.

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