Publicado em 07/05/2026
Em relação às escalas de trabalhos, a nossa história tem resistido as mudanças que se impõem.
O Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão e a mesma só se deu após a decretação da lei nº 3.350, denominada de Lei Área. Antes dela, em 1850 já havia sido aprovada a Lei Euzébio de Queirós, em 1871, a lei do ventre Livre, em 1885 e a lei dos sexagenários. Estas leis prenunciavam o fim da nossa escravidão e que só veio acontecer no dia 13 de maio de 1.988.
Pelas datas acima reportadas, o movimento abolicionista no nosso país teve início na segunda metade do século XIX e foi composto por renomados intelectuais, jornalistas e políticos, entre eles e se destacar: André Rebouças, José do Patrocínio, Luiz Gama e Joaquim Nabuco.
As pressões populares em muito também ajudaram na libertação dos nossos escravos. Detalhe: D Pedro I, por exemplo, era contra a escravidão, no entanto agia de forma pragmática para não perder o apoio da elite latifundiária e garantir a estabilidade seu próprio reinado.
Presentemente, no nosso país, encontra-se em debate o fim da escala 6×1, através da qual, os nossos trabalhadores só são dispensados de comparecer aos seus postos de trabalho aos domingos. Entretanto, em relação aos servidores públicos a escala 5×2 já vinha prevalecendo, pois aos sábados as suas presenças não mais estavam sendo obrigatórias.
Se a aprovação da Lei Áurea contou com forte oposição dos nossos cafeicultores, à época, a principal fonte de recursos das nossas exportações, alguns historiadores afirmam que a mesma em muito contribuiu para o fim do reinado de D. Pedro II e a proclamação da nossa República.
O discurso anti-escravagista era sempre o mesmo, qual seja, a nossa economia entraria em colapso, posto que, os cafeicultores não poderiam remunerar os escravos, sem que os mesmo não trabalhassem aos domingos. Resultado: a lei Áurea passou a ser cumprida e a produção de café sequer foi ameaçada.
Em relação às demais benefícios conferidos aos nossos trabalhadores, e a se destacar, assistência social, previdência e saúde, antes de serem aprovados tiveram que enfrentar sérias resistências, entre eles: férias remuneradas e 13º salário.
Portanto, não se trata de uma novidade, e sim, algo bastante esperado, quando determinados setores da nossa economia apóiem a escala 6×1 e se oponham a escala 5×2, já que esta determina que os nossos trabalhadores possam folgar aos sábados e domingos, sem prejuízo dos seus próprios salários mensais.
Em tempo de internet e de trabalho a distância a escala 6×1 haveria de chegar ao fim, como de fato chegará.

