Publicado em 22/05/2026
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Por Redação
Os registros de violência sexual no Acre apresentaram uma alta expressiva nos primeiros quatro meses de 2026. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o estado contabilizou 230 vítimas de estupro e estupro de vulnerável entre janeiro e abril deste ano. O montante representa um aumento de 22,99% em comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido notificadas 187 ocorrências.
O crescimento do indicador foi impulsionado majoritariamente pelos crimes de estupro de vulnerável — que englobam vítimas menores de 14 anos ou pessoas sem condições de oferecer resistência. Essa modalidade saltou de 142 casos em 2025 para 181 em 2026, um avanço de 27,46%. Já as notificações de estupro convencional oscilaram de 45 para 49 registros no mesmo recorte temporal, o que equivale a uma alta de 8,89%.
Perfil das vítimas e o pico em abril
O relatório estatístico evidencia o recorte de gênero na criminalidade local: a esmagadora maioria das vítimas pertence ao sexo feminino. Das 230 ocorrências computadas no primeiro quadrimestre, 207 das vítimas eram mulheres e meninas (90%), enquanto os 23 registros restantes envolveram pessoas do sexo masculino.
A análise cronológica aponta que o mês de abril concentrou o maior volume de denúncias, acumulando 70 vítimas na soma dos dois tipos de crime. O comportamento das notificações ao longo do quadrimestre se distribuiu da seguinte forma:
Janeiro: 51 casos
Fevereiro: 44 casos
Março: 65 casos (pico de estupro convencional, com 16 ocorrências)
Abril: 70 casos (pico de estupro de vulnerável, com 61 ocorrências)
As projeções baseadas na população acreana fixaram a taxa estimada de violência sexual no estado em 77,72 vítimas para cada grupo de 100 mil habitantes neste início de ano. Ao isolar os indicadores por natureza jurídica, a incidência do estupro de vulnerável atingiu o patamar de 61,16 por 100 mil habitantes, enquanto a taxa de estupro ficou em 16,56.
Especialistas da área de segurança pública reforçam que, embora os números reflitam o avanço da criminalidade, a elevação dos índices oficiais também pode estar associada a uma maior conscientização da sociedade e ao fortalecimento de canais de denúncia, encorajando famílias a notificarem os abusos às autoridades policiais.

