Publicado em 20/05/2026
Foto: Alessandra Karoline
Por Alessandra Karoline
Sob forte esquema de segurança, com uso de detectores de metal e revistas pessoais na entrada do auditório da Uninorte, o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL/MG) encerra a sua agenda oficial no Acre na manhã desta quarta-feira (20). O controle estrito de acesso ao evento, promovido pelo Partido Liberal (PL), mobilizou uma inspeção detalhada em jornalistas, apoiadores e convidados antes da entrada no recinto.
Em discurso inflamado direcionado a apoiadores, Nikolas Ferreira subiu o tom contra o atual cenário político e administrativo do Brasil. O parlamentar afirmou que o cerne dos problemas nacionais não reside na escassez de recursos financeiros, mas sim na conduta e na competência das lideranças em Brasília.
“Não falta dinheiro em Brasília! Não falta dinheiro aqui no Brasil! O que falta é vergonha na cara, é caráter, é gestão de verdade e gente competente”, declarou o deputado.

Durante a sua fala, o deputado fez duras críticas à atuação de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente. O parlamentar a chamou de “covarde” e alegou que ela preferiu buscar espaço eleitoral por São Paulo a enfrentar a realidade local do Acre, estado onde iniciou sua trajetória política.
O deputado também traçou um panorama crítico sobre a situação das populações tradicionais na região amazônica. Ele relatou ter testemunhado trabalhadores em condições análogas à escravidão dentro de reservas e seringais, caminhando horas e vivendo isolados para garantir a subsistência básica.
Ferreira estendeu as críticas a lideranças indígenas locais, acusando “caciques” de se curvarem a interesses de Organizações Não Governamentais (ONGs) estrangeiras e realizarem viagens internacionais enquanto suas respectivas comunidades enfrentam a fome e a miséria.

Ao abordar o atual debate político, o parlamentar acusou a esquerda de promover uma “desumanização” de opositores e de cidadãos que se manifestam utilizando as cores verde e amarela. Segundo ele, há uma rotulação sistemática e pejorativa contra o campo conservador e os cristãos.
“Nós não somos mais seres humanos, nós somos fascistas, genocidas, intolerantes. Os cristãos se tornaram homofóbicos, transfóbicos, golpistas. A melhor estratégia para poder destruir um povo é exatamente a desumanização”, apontou.
Relembrando as próprias origens na favela da Cabana, em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira usou seu histórico para motivar a audiência. Ele elogiou a postura de uma moradora local, identificada como Raimunda, citando-a como exemplo de audácia que todo cidadão deveria seguir.

O deputado concluiu o discurso enfatizando que a transformação estrutural do país demanda uma “reforma individual” e o senso de sacrifício coletivo, alertando que a mudança real não deve ser delegada apenas à classe política ou ao período das eleições.
“Você não vai mudar esse país somente na urna, esquece. A sua voz é muito importante. Quem melhor do que você para poder denunciar um caso que é real?”, finalizou, encorajando o público a superar o temor de perseguições ou cancelamentos em escolas, faculdades e ambientes de trabalho.

