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Com recorde de 15 mil participantes, XXVII Marcha a Brasília encerra com foco em sustentabilidade fiscal e novas ferramentas de gestão

Publicado em 22/05/2026

Foto: Reprodução/XXVII Marcha

Por Alessandra Karoline

Com um recorde histórico de mais de 15 mil participantes, a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios foi encerrada no fim da manhã desta quinta-feira, 21 de maio, na capital federal. O fechamento do evento, considerado o maior fórum de debate político-administrativo da América Latina, ficou marcado pela leitura da carta oficial do movimento, que sintetiza as principais reivindicações locais entregues aos representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Sob o tema “O Brasil que dá certo nasce nos Municípios”, o encontro serviu de palco para duras cobranças fiscais ao longo de quatro dias. A principal preocupação compartilhada pelos prefeitos e gestores gira em torno do avanço das chamadas “pautas-bomba” no Congresso Nacional. Segundo estimativas técnicas apresentadas no evento, a aprovação dessas medidas pode gerar um rombo financeiro acumulado de R$ 270 bilhões aos cofres municipais.

“A aprovação dessas pautas representa um risco direto à sustentabilidade fiscal das prefeituras e compromete gravemente a continuidade dos serviços públicos essenciais prestados diretamente à população, como saúde e educação básica”, alertaram as lideranças no documento.

Foto: Reprodução/XXVII Marcha

No encontro, os prefeitos solicitaram apoio para frear os projetos de alto impacto fiscal e pediram celeridade em propostas de interesse local. Embora o governo federal tenha assegurado a manutenção dos canais de diálogo, nenhuma medida concreta ou promessa formal foi apresentada aos gestores.

Por outro lado, o movimento municipalista garantiu uma importante vitória política no Poder Legislativo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, assumiu publicamente o compromisso na plenária de não pautar para votação os projetos de lei que tratam do aumento de pisos salariais nacionais — apontados como um dos principais fatores de desequilíbrio das finanças municipais.

Em ano de Eleições Gerais, a Marcha funcionou como vitrine para o debate sucessório nacional. A CNM convidou os pré-candidatos à Presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais. Entre os dias 19 e 21, apresentaram suas propostas de governo aos prefeitos e à imprensa o senador Flávio Bolsonaro, os ex-governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais), o pré-candidato Renan Santos, além do escritor e professor Augusto Cury.

Foto: Reprodução/XXVII Marcha

No âmbito institucional, a plenária referendou os nomes eleitos para o Conselho Superior do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), em cumprimento à Constituição Federal e à Lei Complementar (LC) 214/2025. O comitê, composto por quadros técnicos e de perfil descentralizado, abrigará representantes de municípios de grande porte (com milhões de habitantes) até pequenas localidades (com menos de 100 mil habitantes), visando dar equilíbrio técnico na gestão do novo imposto.

Um dos principais anúncios do encerramento foi o lançamento da e-compras, uma plataforma digital e gratuita voltada exclusivamente para as compras públicas municipais. A ferramenta foi desenvolvida pela CNM para sanar um gargalo burocrático que atinge a totalidade dos prefeitos: a complexidade dos processos de licitação. O sistema entra em operação com o endosso institucional dos presidentes das 27 entidades estaduais de municípios.

Destaques da Agenda Paralela

Movimento Mulheres Municipalistas (MMM): Sob a liderança de Tania Ziulkoski, o braço feminino do movimento pautou a necessidade de maior ocupação de cargos de chefia no Executivo e no Legislativo.

Rede de Municípios Doadores: O MMM divulgou a expansão da iniciativa criada em 2025 para conectar hemocentros e doadores de sangue, que já conta com 57 prefeituras e 735 doadores cadastrados.

Arenas Técnicas: Foram realizadas 38 arenas dedicadas a debates práticos e troca de relatórios sobre áreas finalísticas, como Assistência Social, Defesa Civil, Turismo, Planejamento Urbano e Desenvolvimento Rural.

O encerramento oficial contou com a leitura do manifesto conduzida pelo ex-prefeito de Taió (SC) e ex-presidente da Federação de Consórcios, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina (Fecam), Hugo Lembeck.

O ato solene foi acompanhado pelo presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, principal articulador do movimento, e pelo assessor especial da Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, Ilário Marques, que sinalizou o canal aberto de diálogo com o governo federal.

A carta oficial agora funciona como um documento norteador para o pacto federativo, estipulando prazos e metas para que o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional respondam às demandas de socorro financeiro e autonomia das cidades.

Confira a Carta da XXVII Marcha a Brasília

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