Publicado em 06/05/2026
Foto: Pedro Devani/Secom
Por Redação
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pautou para esta quarta-feira, 6 de maio de 2026, a retomada do julgamento do ex-governador do Acre, Gladson Cameli. O político, que renunciou ao cargo de governador para concorrer ao Senado Federal, enfrenta acusações graves em um processo que tramita na Corte Especial da instituição.
Cameli é investigado por suposta participação em organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes em licitações, em um caso que envolve denúncias de desvio de recursos públicos.
A expectativa para a sessão de hoje é alta, dado o teor do voto proferido pela relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, em dezembro de 2025. Na ocasião, a magistrada defendeu a condenação do ex-governador, propondo uma pena de 25 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial fechado, além da perda do cargo.
O desfecho deste julgamento é considerado um marco importante na trajetória política do ex-governador, que aguarda a decisão colegiada em meio à sua campanha ao Senado. A Corte Especial deverá agora dar continuidade à votação para definir o futuro jurídico de Gladson Cameli.
A acusação: Organização criminosa e desvios
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o governador teria liderado uma organização criminosa estruturada em núcleos familiares, políticos e empresariais com o objetivo de desviar recursos públicos. O esquema, que teria se iniciado em 2019, resultou em prejuízos superiores a R$ 16 milhões aos cofres públicos, segundo análises da Controladoria-Geral da União (CGU).
Um dos eixos centrais da investigação, deflagrada na Operação Ptolomeu, refere-se a fraudes na licitação e na contratação da empresa Murano Construções Ltda. A investigação aponta o pagamento de R$ 18 milhões à construtora para obras de engenharia que teriam sido marcadas por irregularidades.
Segundo a relatora, o governador e seu irmão, Gledson de Lima Cameli, arquitetaram a contratação fraudulenta de empresas vinculadas ao irmão, como a Construtora Rio Negro Ltda., de forma dissimulada. “O chefe do Poder Executivo estadual determinou, conforme demonstrado nos autos, a ampliação dos contratos superfaturados”, afirmou Nancy Andrighi em seu voto.
A relatora também destacou que houve lavagem de dinheiro, com o recebimento de vantagens indevidas por parte do governador. Valores provenientes do esquema teriam sido usados para quitar parcelas de um apartamento de alto padrão em São Paulo e de um veículo de luxo.
Para a ministra, a atuação do réu foi direta na viabilização dos crimes. “Gladson, por diversas vezes, praticou atos com desvio de finalidade pública, liderando organização criminosa com o escopo de reverter verba pública em benefício próprio”, concluiu a relatora.
Defesa contesta as acusações
Durante o processo, a defesa de Gladson Cameli refutou as teses do MPF. Os advogados sustentaram que não há provas de que o governador tenha interferido na condução, fiscalização ou pagamento dos contratos com a empresa Murano, alegando que essas seriam atribuições exclusivas da secretaria responsável.
A defesa também negou a existência de subcontratação irregular com empresas ligadas a familiares e argumentou que a acusação de “organização criminosa” confunde a estrutura administrativa do governo com atividades ilícitas, sem apresentar provas concretas da existência de uma facção criminosa.
Com o pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha, o julgamento foi suspenso, sem data definida para o retorno da análise pelos demais magistrados da Corte Especial.

