Publicado em 22/05/2026
Foto: Assessoria
Por Alessandra Karoline
O movimento de greve dos professores e servidores da educação municipal de Rio Branco, iniciado na última quarta-feira (20), trouxe reflexos para a rotina de outra categoria essencial da administração pública: os profissionais de limpeza urbana. Trabalhadores que atuam no Centro da capital relatam que o volume de resíduos descartados incorretamente na Praça da Revolução, em frente à Prefeitura, dobrou desde o início das aglomerações.
Garis e Margaridas que realizam o mutirão de zeladoria nas primeiras horas da manhã afirmam que o retrabalho tem sido constante. Embora a reposição de sacos plásticos nas lixeiras e papeleiras seja feita diariamente pelas equipes, garrafas plásticas, papéis e restos de alimentos continuam sendo deixados nos monumentos e no chão ao longo do dia.
Entre os servidores que cuidam do local está a Margarida Léia da Silva. Ela relata a exaustão da equipe com o aumento repentino da demanda e pede mais sensibilidade por parte dos manifestantes que ocupam o espaço público.

“Depois que começaram esses protestos aqui, o trabalho dobrou. Nós estamos aqui para limpar, fazer a nossa parte, mas eles também precisam fazer a parte deles. É só ter um pouco de consideração e nos ajudar na limpeza, não ficar jogando lixo no chão. A gente repõe os sacos, não deixa lixeira vazia. Por serem professores, deveriam dar um bom exemplo”, desabafou a servidora.
A Praça da Revolução é o coração do perímetro urbano central de Rio Branco, registrando intenso fluxo de estudantes, comerciantes e pedestres. Para os operários da limpeza, a manutenção da área exige a cooperação direta de quem a utiliza para protestar.
A situação levou a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI) a emitir um pronunciamento oficial pedindo bom senso e educação ambiental aos integrantes do movimento. O secretário da pasta, Tony Roque, ressaltou o respeito da gestão ao direito constitucional de greve, mas cobrou coerência cidadã com o patrimônio público.

“Nós não somos contra qualquer manifestação. É direito do cidadão, é direito do funcionário. Agora, aproveito a situação para nós somarmos e levarmos bons exemplos. O destino do resíduo sólido é na papeleira, é na caixa de coleta. O Gari e a Margarida trabalham continuamente, faça sol, faça chuva. Nós, que somos da administração pública, temos que mostrar bons exemplos”, pontuou o secretário.
Roque alertou ainda que o descarte irregular de detritos, além de sobrecarregar o funcionalismo, agride o meio ambiente e pode configurar infração ambiental prevista na legislação do município. Até o fechamento desta matéria, o comando de greve do sindicato da educação não havia se pronunciado sobre o recolhimento de lixo durante os atos de mobilização.

