Publicado em 23/04/2026
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Por Redação
BRASÍLIA – Uma movimentação jurídica de grande escala no Supremo Tribunal Federal (STF) pode alterar profundamente o pacto federativo e a distribuição das receitas do petróleo no Brasil. O Acre integra um grupo de 19 estados não produtores, que, em conjunto com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), apresentou uma proposta para destravar a redistribuição dos royalties, tema paralisado na Corte há mais de uma década.
O julgamento, que promete redefinir o fluxo de caixa de estados e prefeituras, está agendado para o dia 6 de maio. Para o Acre, o desfecho pode significar um incremento gradual e robusto no orçamento destinado a áreas críticas, como saúde, educação e infraestrutura.
O Impasse Histórico: 2012–2025
A batalha judicial remonta a 2012, quando uma lei federal redefiniu os critérios de partilha para beneficiar estados e municípios que não possuem exploração de petróleo em seus territórios. Contudo, em 2013, a ministra Cármen Lúcia suspendeu os efeitos da nova legislação por meio de uma liminar, atendendo a pedidos de grandes produtores como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.
Desde então, o modelo antigo permanece em vigor, concentrando a riqueza nas regiões produtoras. O Rio de Janeiro, por exemplo, detém atualmente cerca de 87% da produção nacional.
A nova estratégia apresentada ao STF busca um consenso para evitar novos bloqueios judiciais. Os pontos centrais do acordo são:
Renúncia ao Retroativo: Os estados não produtores abririam mão de cobrar os valores que deixaram de receber entre 2013 e 2025.
Transição de 7 Anos: A mudança nos repasses não seria imediata. A proposta prevê um cronograma gradual entre 2026 e 2032, reduzindo a fatia dos grandes produtores à medida que aumenta a participação de estados como o Acre.
Exclusão da Margem Equatorial: A exploração na nova fronteira petrolífera do Norte/Nordeste ficaria fora deste acordo inicial, devido às complexidades ambientais envolvidas.
O que são os Royalties e por que importam?
Os royalties são compensações financeiras pagas pelas empresas petrolíferas à União, estados e municípios pela exploração de recursos não renováveis e pelos impactos socioambientais da atividade.
No cenário atual, enquanto estados como Amazonas, Bahia e Sergipe produzem em menor escala, o Acre e a maioria das unidades da federação recebem fatias mínimas. Caso o STF valide o acordo, o governo acreano passará a contar com uma fonte de receita crescente nos próximos anos, permitindo um planejamento plurianual com maior folga financeira para serviços públicos.
A decisão do dia 6 de maio é aguardada com ansiedade por governadores e prefeitos, pois representa a possibilidade de corrigir o que o grupo de 19 estados chama de “desequilíbrio na federação”.

