Publicado em 21/04/2026
(Foto: Evandro Derze/Assecom)
A crise no transporte coletivo de Rio Branco registrou um novo desdobramento nesta terça-feira (21), véspera da paralisação anunciada pelos motoristas. A Ricco Transportes tornou pública uma prestação de contas detalhada, na qual afirma que a manutenção do serviço tornou-se financeiramente inviável, citando o esgotamento de seus recursos para a operação.
O documento, endereçado aos colaboradores e ao público, detalha arrecadações, despesas e dívidas. A concessionária atribui o cenário à ausência de recomposição de custos por parte do poder público municipal. O comunicado surge simultaneamente à mobilização dos trabalhadores, que reivindicam o pagamento de salários e encargos atrasados, com suspensão das atividades prevista para esta quarta-feira (22).
Histórico Contratual e Dados Financeiros
Segundo a empresa, um ofício protocolado em 3 de fevereiro de 2026 informou à administração municipal o desinteresse na renovação do contrato emergencial do Lote I do SITURB, vencido em 10 de fevereiro. A Ricco sustenta que manteve a frota em circulação após este prazo para evitar a interrupção do serviço, mas alega que houve uma publicação de renovação contratual sem a devida assinatura ou anuência formal da empresa.
No balanço financeiro referente ao período de 1º a 20 de abril de 2026, a concessionária registrou uma arrecadação de R$ 2.848.062,15 (incluindo bilhetagem e subsídios) contra despesas operacionais de R$ 2.912.826,01. O saldo negativo no período foi de R$ 64.763,86.
As principais despesas listadas foram:
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Combustível: R$ 1,15 milhão
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Manutenção e peças: R$ 481 mil
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Folha de pagamento e tributos: Demais valores
Déficit Acumulado e Obrigações Trabalhistas
A empresa aponta que o déficit total acumulado em 20 dias chega a R$ 1.594.331,29, quando incluídas obrigações vencidas como:
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Salários: R$ 574 mil
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Vale-alimentação: R$ 348 mil
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Rescisões e encargos: R$ 607 mil
Os dados coincidem com as denúncias de motoristas sobre atrasos salariais e falta de depósitos de FGTS e INSS.
Perfil dos Passageiros e Custos Operacionais
Entre 1º e 17 de abril, a Ricco informou o transporte de 490.248 passageiros. Destes, 53,5% pagaram a tarifa integral, 23,4% utilizaram a meia-passagem estudantil e 23,1% foram beneficiários de gratuidades. A concessionária argumenta que, conforme a legislação, a diferença dessas tarifas deveria ser compensada pelo poder público.
De acordo com a planilha apresentada, a Prefeitura repassou R$ 2,89 milhões no período. Contudo, a empresa projeta que seriam necessários R$ 4,41 milhões para o equilíbrio da operação, com base em uma tarifa técnica calculada em R$ 7,79.
Fatores Apontados para a Crise
A concessionária elenca três causas para a situação atual:
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Defasagem Tarifária: Manutenção do preço da passagem desde 2022 frente ao aumento dos insumos, como o diesel.
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Infraestrutura: Impacto das condições das vias no desgaste da frota.
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Irregularidades: Falta de fiscalização sobre a revenda ilegal de vales-transporte.
O cenário de incerteza é acentuado pela recente suspensão da licitação do novo sistema de transporte pela Prefeitura, após questionamentos ao edital. Até o momento, a administração municipal não emitiu posicionamento oficial sobre os dados divulgados pela Ricco Transportes, tendo declarado anteriormente apenas que apuraria as informações sobre a paralisação dos trabalhadores.
Veja mais por meio do link: Ricco Transportes Oficial

