Publicado em 05/05/2026
O relacionamento entre Lula e Davi Alcolumbre chegou ao ápice, em uma disputa que lembra Davi contra Golias.
Há mais de um século — mais precisamente, há 123 anos — não víamos o que ocorreu recentemente: o indicado pelo presidente para ocupar uma vaga no STF teve seu nome rejeitado pelo Senado. A ineditismo deste fato suscitou uma série de questionamentos, sendo o principal deles: como ficará o relacionamento entre o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, até as próximas eleições e a posse dos novos eleitos? Em particular, como será a relação com aquele que nos presidirá no quadriênio 2027-2030?
O que levou o senador Davi Alcolumbre a “chutar o balde”, como se diz na gíria política? Que o relacionamento entre ambos nunca foi harmonioso, nem para o senador nem para o presidente Lula, já sabíamos. Afinal, para retornar à presidência do Senado pela terceira vez, Davi Alcolumbre contou com os votos de lulistas e bolsonaristas — e atender a ambos, em razão da nossa odiosa polarização política, seria praticamente impossível.
Disto resultou a não aprovação do indicado, Jorge Messias, para ocupar a cadeira que se encontrava aberta no poderoso colegiado: o Supremo Tribunal Federal (STF).
Como, no final de seus mandatos, todos aqueles que ocupam funções executivas — seja na Presidência da República, nos governos estaduais ou nas prefeituras — não raramente veem-se condicionados a “comer o pão que o diabo amassou”, o presidente Lula acabou, para não fugir à regra, engolindo esse pão indesejável: a não aprovação do nome que havia indicado para ocupar a 11ª vaga do STF.
Daí a pergunta que não quer calar: quais as implicações da referida derrota em relação à disputa eleitoral que se avizinha? Respondo: só o tempo dirá, até porque, num país partidariamente bagunçado como é o nosso, tudo pode acontecer.
Engana-se quem pensa que foi o pró-bolsonarismo quem venceu, posto que, lamentavelmente, o que esteve em jogo foi o anti-bolsonarismo e o anti-lulismo — a maldição que, ao que tudo indica, continuará nos assombrando até as próximas eleições.
Portanto, do quadriênio 2027-2030, nada de positivo podemos esperar. Afinal, seja com Lula exercendo um quarto mandato, seja com alguém que carregue o sobrenome Bolsonaro, o nosso país continuará caminhando rumo ao abismo.
Não é de heróis, ou, mais precisamente, de heróis fabricados, que estamos carentes. Acorda, Brasil!

