Publicado em 04/05/2026
Foto: Assessoria
Por Redação
Durante sessão na Câmara dos Deputados, a Deputada Federal Socorro Neri (PP-AC) protagonizou um embate ao criticar o posicionamento de um colega de parlamento que a antecedeu na tribuna. O ponto central da discussão foi o projeto que trata do “Fator Amazônico”, uma proposta voltada ao financiamento educacional na região.
Para a parlamentar, o discurso proferido anteriormente demonstrou uma falta de familiaridade com as características e desafios da região Amazônica. Neri pontuou que há uma confusão comum entre o Estado do Amazonas e a região da Amazônia como um todo.
“O deputado que me antecedeu demonstra, com muita clareza, que não conhece mesmo a Amazônia. É muito grave para um deputado brasileiro desconhecer uma região tão importante quanto a Amazônia. Nós estamos tratando, neste projeto, de Fator Amazônico, portanto, estamos falando da Amazônia e não do Estado do Amazonas, que é apenas um dos estados da região”, rebateu a deputada.
Aproveitando sua experiência como ex-secretária estadual de Educação, Socorro Neri trouxe a discussão para o campo prático da gestão pública. Ela ressaltou as dificuldades enfrentadas para garantir o ensino em áreas de difícil acesso, destacando que as métricas de financiamento precisam ser diferenciadas para regiões com essa realidade.
“Eu, que já fui secretária de Estado de Educação de um estado da Amazônia, sei que é extremamente importante considerar o Fator Amazônico. É uma reparação histórica para que possamos, de fato, fazer educação de qualidade para os amazonidas que moram em regiões de difícil acesso”, defendeu.
A deputada detalhou que a realidade de muitos municípios amazônicos envolve a necessidade de garantir a chegada de merenda, transporte escolar e professores em localidades remotas. Segundo Neri, tratar essas áreas com os mesmos critérios de regiões urbanas ou de fácil acesso é inviável.
“Há escolas dentro de cada município, em regiões extremamente difíceis, com poucos estudantes. É preciso que a merenda chegue, que o transporte escolar chegue. Portanto, é preciso considerar, sim, a necessidade de financiarmos esse chamado Fator Amazônico”, concluiu.
Ao encerrar seu pronunciamento, a parlamentar afirmou que o Progressistas (PP) e o seu bloco parlamentar encaminhariam o voto favorável à matéria, reiterando o compromisso com a valorização e a equidade no investimento educacional para os estados da região Norte.
O que é o “Fator Amazônico”
A proposta de Neri defende que políticas públicas federais não podem tratar de forma igualitária regiões com realidades distintas. O “Fator Amazônico” seria um mecanismo para ajustar o repasse de verbas, considerando fatores que encarecem o ensino na região, tais como:
Desafios Logísticos: O transporte escolar fluvial, por exemplo, exige investimentos significativos que não existem em grandes centros urbanos.
Custos de Infraestrutura: A dificuldade de acesso a áreas remotas torna a construção e manutenção de escolas muito mais dispendiosas.
Realidade Social: A necessidade de atender populações ribeirinhas, florestais e indígenas com um currículo e logística adequados.
FATOR AMAZÔNICO
A articulação estratégica foi iniciada no Congresso Nacional para incluir o “Fator Amazônico” no novo Plano Nacional de Educação (PNE), que deve entrar em vigor em 2026. A medida propõe que o financiamento federal da educação reconheça, de forma diferenciada, as especificidades e os desafios impostos pela geografia e pelas desigualdades regionais na Amazônia Legal.
O objetivo da parlamentar é garantir que a Educação do Campo, das Águas, Florestas e Indígena receba recursos condizentes com a realidade local, superando o modelo atual, que, segundo ela, ignora as disparidades extremas entre as regiões brasileiras.
Para viabilizar a proposta, Socorro Neri tem mantido agendas frequentes em Brasília. A deputada já se reuniu com o deputado Moses Rodrigues, relator do PNE, para apresentar os dados e a realidade vivida não apenas no Acre, mas em toda a região amazônica. A intenção é sensibilizar o parlamento de que um plano nacional só é verdadeiramente democrático se respeitar as particularidades regionais.

