Publicado em 17/06/2026
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Por Redação
O estado do Acre enfrenta um cenário de severa emergência na saúde pública devido a um aumento expressivo nos diagnósticos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo dados epidemiológicos divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o início de junho concentrou o maior pico de hospitalizações provocadas pela enfermidade em 2026, sobrecarregando a rede hospitalar de urgência e emergência na capital.
O Boletim de Síndromes Respiratórias aponta que a Semana Epidemiológica 22 (SE-22), compreendida entre os dias 31 de maio e 6 de junho, registrou a expressiva marca de 103 notificações em um intervalo de apenas seis dias. Até então, o pior momento do ano havia sido reportado no mês de março, quando foram contabilizados 81 casos em uma única semana. Com o novo balanço, o acumulado de 2026 já soma a preocupante marca de 1.547 ocorrências de SRAG no estado.
Conforme o balanço das autoridades de saúde, o perfil epidemiológico das internações mantém um padrão de vulnerabilidade bem definido: crianças de 2 a 4 anos e idosos acima de 60 anos figuram como as principais vítimas de complicações graves, liderando as estatísticas de ocupação nas unidades de saúde acrianas.
Análises laboratoriais e monitoramentos realizados a partir de amostras de pacientes internados revelam o que especialistas classificam como um complexo cenário de “co-circulação viral”. Em vez de um único patógeno dominante, o sistema de saúde lida com uma proliferação simultânea de agentes que impulsionam os quadros de Pneumonia, Bronquite e Bronquiolites.
Entre os vírus identificados em laboratório destacam-se:
Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Rinovírus;
Influenza A, incluindo as cepas H1N1 pdm09, H3N2 e cepas não subtipadas;
Sars-CoV-2 (Covid-19) e Adenovírus;
H3/Sazonal, Metapneumovírus, Parainfluenza 1 e Bocavírus.
O reflexo imediato da disparada de casos é o sufocamento da infraestrutura hospitalar acriana. Dados oficiais atualizados mostram que os principais centros de atendimento de Rio Branco atingiram o limite de sua capacidade operacional nas unidades de terapia intensiva.
A situação mais alarmante concentra-se no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb). As UTIs adulto 01 e 02 operam hoje com 100% de ocupação, preenchendo a totalidade de suas vagas (17 e 10 leitos, respectivamente). No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), resta apenas 1 vaga disponível das 17 estruturadas. No Hospital Santa Juliana, há duas vagas remanescentes de UTI, enquanto a Fundhacre conta com 4 vagas disponíveis de um total de 10 leitos.
A ala pediátrica também acende o sinal de alerta. No Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, embora a UTI apresente um respiro com 6 vagas das 10 instaladas, o cenário nas enfermarias gerais e intermediárias é severo: a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) dispõe de somente 1 vaga e os leitos comuns de enfermaria contam com meras 9 vagas das 70 disponíveis para toda a demanda do estado.
A Sesacre e as direções hospitalares mantêm o monitoramento em tempo real e reforçam o apelo à população para a manutenção das medidas preventivas de higiene e a atualização vacinal, visando conter a curva ascendente de transmissões.

