Publicado em 15/06/2026
Foto: Arquivo/Secom
Por Alessandra Karoline
Neste 15 de junho, o Acre celebra o aniversário de sua emancipação política, uma data que vai além do calendário e toca o cerne da identidade de seu povo. Foi neste mesmo dia, no ano de 1962, que o presidente João Goulart sancionou a Lei nº 4.070, elevando o antigo Território Federal à dignidade de Estado da Federação, consolidando uma trajetória marcada por bravura, diplomacia e resistência.
Diferente de outras unidades federativas que nasceram das divisões coloniais portuguesas, o Acre foi conquistado por seu próprio povo.

Com uma superfície de 164.221,36 km², o Acre ocupa uma posição estratégica no sudoeste da Região Norte, representando 4,26% do território amazônico e 1,92% do Brasil. Situado em um planalto com altitude média de 200 metros, o estado faz fronteira internacional com o Peru e a Bolívia, além de divisas com o Amazonas e Rondônia.
As Raízes do “Aquiri” e a Febre da Borracha
A história da região começa muito antes das fronteiras políticas. O próprio nome “Acre” é uma herança dos índios Apurinãs, os habitantes originais. Derivado de “Aquiri”, o termo significa “rio dos jacarés”, uma referência às águas que cortam a região.
O cenário começou a mudar drasticamente a partir de 1877. Atraídos pelo boom do látex no mercado internacional, milhares de imigrantes nordestinos — agenciados por seringalistas — fincaram suas raízes na floresta. Desbravando os rios Acre, Alto-Purus e Alto-Juruá, essa nova população multiplicou-se por quatro em apenas um ano, ocupando terras que, por tratados coloniais, pertenciam originalmente à Bolívia e ao Peru.
A Revolução Acreana e a Diplomacia do Barão
A soberania boliviana sobre a região gerou atritos imediatos quando o país vizinho tentou taxar a borracha e fundar a cidade de Puerto Alonso. A reação dos seringueiros brasileiros foi imediata e combativa:
A República do Acre (1899): Em um movimento ousado, o jornalista espanhol Luís Gálvez proclamou a República do Acre, uma tentativa efêmera de independência.
A Revolução Acreana (1902): Sob a liderança militar de Plácido de Castro, os brasileiros pegaram em armas para garantir a posse da terra, retomando Puerto Alonso e rebatizando-a como Porto Acre.
O Tratado de Petrópolis (1903): O impasse com a Bolívia só foi resolvido na mesa de negociações em 17 de novembro de 1903. O Brasil comprou o território, assumiu dívidas e o compromisso de construir a histórica Ferrovia Madeira-Mamoré.
A Fronteira com o Peru (1909): O desenho final do mapa acreano veio após disputas com os peruanos, resolvidas em 8 de setembro de 1909 graças à brilhante atuação diplomática do Barão do Rio Branco, então Ministro das Relações Exteriores.
O Caminho para a Autonomia Política
Unificado em 1920, o Acre passou décadas sendo governado por interventores nomeados diretamente pelo Presidente da República, sem autonomia política real.
O clamor por liberdade e representatividade culminou no histórico 15 de junho de 1962. A assinatura da Lei nº 4.070 deu ao povo acreano o direito de reger seu próprio destino. Meses depois, em outubro daquele ano, José Augusto de Araújo entrava para a história como o primeiro governador eleito do Estado do Acre.
Neste aniversário, o estado não celebra apenas a sua geografia ou os seus números econômicos, mas o orgulho de uma população que escolheu, por direito de luta, fazer parte do Brasil.

