Publicado em 25/06/2026
Foto: Reprodução/Rede Social
Por Alessandra Karoline
O acriano Sebastião Afonso Viana Macedo Neves, conhecido no ambiente parlamentar como Tião Viana, alcançou um importante marco em sua trajetória profissional ao obter a certificação de autonomia médica plena na Europa. Com a nova validação, o profissional, que possui um vasto currículo acadêmico e clínico, está oficialmente autorizado a exercer a medicina em qualquer país-membro da União Europeia.

Nascido em Rio Branco no ano de 1961, o médico e político brasileiro construiu uma carreira consolidada na área de infectologia antes de ascender a postos de comando no Congresso Nacional. Especialista em Clínica Médica, Infectologia e habilitado em Medicina de Urgência, o médico consolidou sua formação com títulos de peso tanto no Brasil quanto no exterior. Ele é mestre pela prestigiada Universidade de Lisboa, além de possuir doutorado e pós-doutorado concluídos pela Universidade de Brasília (UnB).
A jornada da validação
O processo de inserção no mercado europeu aconteceu de forma gradual. Inicialmente, por meio de seu título de mestre em Portugal, o profissional recebeu a certificação que o habilitava como “médico sem autonomia” — uma condição comum para profissionais estrangeiros em estágio de adaptação ou sob supervisão no bloco europeu.
Recentemente, as autoridades reguladoras concederam a liberação definitiva como médico com autonomia. O avanço representa o topo do reconhecimento profissional na região, permitindo a atuação médica independente e sem restrições de fronteiras dentro da União Europeia.
Em mensagem celebrativa ao portal O Rio Branco, o médico classificou a conquista como o desfecho de um longo processo de dedicação: “Tô plenamente habilitado para isso. Foi uma batalha grande, mas vencida”, comemorou.
Agora, com as portas do mercado internacional abertas, o especialista aguarda as próximas etapas de reuniões e negociações para definir os novos rumos de sua carreira no continente europeu.

Da Medicina Tropical ao serviço comunitário
Tião Viana graduou-se em Medicina no ano de 1986 pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Especializou-se em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília (UnB) e em Infectologia, acumulando experiências em instituições de excelência como o Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, e a Faculdade de Medicina de Petrópolis.
Ao retornar à capital acreana em 1987, iniciou um forte trabalho de base e assistência social. Atuou como médico voluntário no 4º Batalhão Especial de Fronteiras do Estado do Acre e exerceu a representação regional da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Seu perfil comunitário se refletiu na fundação de dezenas de entidades assistenciais, tais como as associações de portadores de hepatite (APHAC), de doentes renais e transplantados (ASPARTAC), de obesidade (APOAC), além de conselhos populares de saúde em municípios como Sena Madureira e em bairros de Rio Branco. Ele também é um dos fundadores do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN).
O reconhecimento científico de sua atuação é referendado por dezenas de artigos publicados em periódicos de prestígio, abordando temas como a doença de Chagas, malária, lobomicose e a prevalência do vírus da Hepatite B (VHB) na Região Norte — este último servindo de base para um programa de vacinação no Acre que lhe rendeu moção de reconhecimento na Assembleia Legislativa em 1999.

Protagonismo e liderança no Senado Federal
Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Tião Viana ingressou na política partidária de alto escalão em 1999, ao ser eleito para o seu primeiro mandato como senador pelo Acre, cargo para o qual seria reeleito em 2007 para cumprir mandato até 2015.
No Legislativo Federal, o parlamentar rapidamente se destacou pela capacidade de articulação. Ao longo de sua trajetória, integrou comissões estratégicas, como a de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Sociais (CAS) e Infraestrutura (CI). Ganhou projeção nacional ao participar ativamente de comissões de grande repercussão, incluindo a CPI dos Bingos e a presidência da CPI do Apagão Aéreo em 2007.
O ápice de sua atuação na Mesa Diretora ocorreu no biênio iniciado em 2005, quando foi eleito vice-presidente do Senado. Em 2007, diante do licenciamento do então presidente da Casa, Renan Calheiros, Tião Viana assumiu a presidência interina do Senado Federal, comandando os trabalhos do Congresso em um período de intensa movimentação política.
Produção intelectual e condecorações
Paralelamente às sessões plenárias, o senador manteve uma prolífica atividade intelectual. É autor de livros que transitam entre o desenvolvimento regional, a soberania da Amazônia e os direitos sociais, como “A Bioindústria na Amazônia: o corredor para o terceiro milênio”, “Ninguém morrerá sufocado se puder respirar: um tributo aos índios do Brasil” e “PEC da saúde: um novo relevo geopolítico para o Brasil”.
Por sua contribuição nas esferas pública e da saúde, recebeu honrarias de prestígio nacional, sendo admitido como Comendador da Ordem do Mérito Militar, Grande Oficial da Ordem do Mérito Naval e eleito o “Senador Médico do Ano” em 2002 pela Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

