Publicado em 10/06/2026
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Por Alessandra Karoline
Em seminário realizado na capital federal nesta terça-feira (9), a Âmbar Energia — braço de energia do Grupo J&F — apresentou as diretrizes de seu robusto plano estratégico de cinco anos (2026–2031) para o setor elétrico da Região Norte. O evento, que reuniu jornalistas dos estados do Acre, Amazonas e Roraima na sala executiva do mezanino do B hotel, contou com a apresentação do diretor de Comunicação do Grupo J&F, Luiz Silveira, e com a palestra do presidente da Amazonas Energia, João Pilla.
O plano foca na reestruturação financeira e na modernização tecnológica da distribuição de energia no Amazonas. O documento, que vem sendo formatado em regime de plantão pela diretoria regulatória da companhia, será submetido à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até o dia 17 de julho. O objetivo central é preparar a complexa infraestrutura local para as crescentes demandas socioeconômicas e para o enfrentamento de eventos climáticos extremos, como os impactos do El Niño.

A entrada no segmento de distribuição é descrita por executivos como um “passo natural” para a Âmbar, que já acumula uma década de atuação consolidada e se posiciona como a quarta maior empresa de geração de energia do Brasil. “Temos uma carreira e uma história a zelar. Não viemos para cá para fazer um trabalho superficial, mas para transformar essa empresa em uma referência de qualidade”, afirmou o executivo responsável pela divisão de distribuição.
O plano de investimentos será balizado rigidamente pelas metas de continuidade estabelecidas pela Aneel, medidas pelos indicadores DEC (Duração Equivalente por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente por Unidade Consumidora). Na prática, esses índices monitoram o tempo médio e a quantidade de vezes que o consumidor fica sem energia.
Para acelerar a queda desses indicadores, a distribuidora prevê a substituição de componentes antigos da rede para torná-la menos vulnerável a intempéries e garantir a integridade física das equipes de campo. Paralelamente, foram iniciadas reuniões de alinhamento técnico com órgãos estratégicos da região, como a Suframa, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), federações da indústria e a administração do Aeroporto Internacional de Manaus.
Faturamento pelo ‘mínimo’ na mira e novos relógios inteligentes
Um dos principais gargalos revelados na reunião envolve o faturamento em Manaus. Mais de 100 mil clientes estão sendo taxados pelo consumo mínimo ou pela média há meses, porque os medidores estão inacessíveis ou com displays apagados. A concessionária indicou que haverá fiscalização intensa para regularizar as unidades e sinalizou abertura para negociar os saldos regulatórios passivos em atraso.
Para modernizar a medição, a empresa anunciou a instalação de 40 mil relógios inteligentes até 2031. A nova tecnologia permitirá o acompanhamento do consumo a cada quatro horas via aplicativo, dando maior controle ao usuário. Ciente do desgaste histórico gerado pela implantação do antigo Sistema de Medição Centralizada (SMC), a diretoria garantiu que os novos aparelhos serão instalados na parte de baixo (e não no topo dos postes) e que o foco será a transparência. “O SMC trouxe um transtorno para a população e não queremos entrar novamente nesse circuito. Faremos campanhas de comunicação claras”, garantiu a diretoria.

Com o objetivo de dar respostas rápidas a apagões, a concessionária planeja implementar, até 2028, o sistema de automação conhecido como self-healing (auto-religamento). Através de sensores e religadores inteligentes espalhados pela malha, o sistema identificará o ponto exato de uma falha e desviará o fluxo de energia automaticamente para outra subestação, isolando o problema sem a necessidade de deslocamento imediato de equipes técnicas.
A diretoria explicou em Brasília que a meta inicial de medidores inteligentes é prudente junto à agência reguladora para focar em investimentos que tragam retorno imediato em segurança e eficiência energética de ponta.
Expansão rural e o programa Luz Para Todos
A universalização do acesso à energia no interior avançará com o programa Luz Para Todos. A companhia projeta a ligação de 11.517 novos consumidores na área rural por meio da extensão de redes convencionais (o que demandará a reforma de 438 km de linhas existentes) e o atendimento de mais 7.248 unidades em áreas de floresta densa e comunidades indígenas através de kits solares isolados.
O Amazonas encontra-se atualmente na 4ª tranche para sistemas isolados e na 11ª tranche para expansão de rede, restando ainda cerca de 64 mil comunidades isoladas a serem atendidas em todo o estado.

Alívio financeiro e eficiência operacional
No campo financeiro, a distribuidora comemora a redução de 11% em seu custo operacional após ações de otimização de processos. A meta é cortar mais 3% no próximo ano, atingindo uma redução consolidada de 16% até 2028, sem afetar o quadro de funcionários próprios contratados via CLT.
O plano de investimentos na rede soma R$ 3,3 bilhões até 2028 (sendo R$ 2,34 bilhões de recursos próprios, R$ 785 milhões do Luz Para Todos e R$ 150 milhões da conta CCC). A liderança reforçou que este montante é integralmente voltado para melhorias estruturais e que não se confunde com o recente acordo de R$ 9,8 bilhões firmado para o equacionamento de dívidas anteriores da concessão, medida essencial para livrar a companhia do pagamento de quase R$ 250 milhões mensais em juros.

