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sábado, 13 de junho de 2026
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Esportes

Brasil estreia na Copa tentando evitar o maior jejum de títulos de sua história

Publicado em 13/06/2026

Vinícius Júnior: o melhor jogador do Brasil ainda não brilhou com a camisa da seleção (Buda Mendes/Getty Images)

Desde o pentacampeonato de 2002, cinco países já chegaram ao topo do mundo. Agora, o Brasil tenta recuperar o protagonismo perdido

Por Amauri Segalla | Veja

Quando a bola rolar contra o Marrocos, neste sábado, o Brasil começará muito
mais do que uma campanha em Copa do Mundo. Desde que Cafu ergueu a taça
em Yokohama, no Japão, em 2002, o futebol mudou de dono cinco vezes.
Itália, Espanha, Alemanha, França e Argentina chegaram ao topo. O Brasil,
não. A seleção que inventou o futebol arte continua estacionada nos mesmos
cinco títulos e estreia na Copa de 2026 carregando um jejum de 24 anos.

Para qualquer outro país, duas décadas sem levantar a taça seriam encaradas
com naturalidade. Para o Brasil, representam uma eternidade. O futebol faz
parte da identidade nacional de uma maneira que poucos fenômenos culturais
conseguem explicar. O país aprendeu a se enxergar através das Copas. Foi
assim em 1958, quando Pelé apresentou o Brasil ao mundo. Foi assim em
1970, quando a seleção de Jairzinho, Tostão e Rivelino virou sinônimo de
perfeição. Foi assim em 1994 e em 2002.

Enquanto os brasileiros se acostumavam a falar do hexa como uma simples
questão de tempo, o resto do mundo evoluiu. Os europeus profissionalizaram
suas estruturas, aperfeiçoaram seus métodos de formação e transformaram
seus campeonatos em fábricas de talentos. A Argentina atravessou crises,
acumulou frustrações, mas encontrou em Messi a solução perfeita para
conquistar o Mundial. O Brasil assistiu a tudo isso como um espectador
desconfortável, incapaz de rivalizar com os rivais..

A passagem do tempo aparece dentro do próprio elenco. Endrick e Rayan, dois
dos rostos mais promissores da nova geração, têm 19 anos. Quando Ronaldo
marcou dois gols na final contra a Alemanha, em 2002, eles sequer haviam
nascido. Para milhões de brasileiros da mesma idade, o último título mundial
da seleção é um acontecimento histórico tão distante quanto as imagens em
preto e branco das conquistas de Pelé.

Essa mudança ajuda a explicar por que a esperança brasileira em 2026 tem
uma cara diferente das anteriores. Pela primeira vez em muito tempo, a
principal aposta do país não é o surgimento de um gênio capaz de decidir
sozinho o destino de uma Copa. Vinicius Júnior está entre os melhores
jogadores do mundo, mas a força desta seleção parece residir em outro lugar.
O Brasil que inicia sua caminhada contra o Marrocos depende menos da
inspiração individual e mais da capacidade de funcionar como um conjunto.

Isso diz muito sobre o momento atual do futebol brasileiro. O país que mais
revelou craques no mundo hoje depende mais de organização do que de
talento. Mais de disciplina coletiva do que de improvisação. Mais do trabalho
de Carlo Ancelotti do que da aparição de um craque que resolva tudo. O
italiano foi contratado justamente para isso: transformar uma coleção de bons
jogadores em uma equipe capaz de competir com as grandes potências.

Nada disso será resolvido contra o Marrocos. Copas do Mundo não são
decididas na primeira rodada. Mas estreias costumam revelar muito sobre o
tamanho das ambições de uma seleção. E a ambição do Brasil, neste momento,
vai além da busca pelo hexa. Trata-se de recuperar um protagonismo perdido,
de provar que a maior campeã da história ainda é capaz de ocupar o centro do
palco.

 

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