Publicado em 16/06/2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Por Alessandra Karoline
Teve início nesta terça-feira (16), na França, a agenda oficial de sessões entre líderes da Cúpula do Grupo dos Sete (G7). O encontro de cúpula das economias mais industrializadas do mundo conta com a participação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, convidado para discursar sobre parcerias internacionais e transição ecológica.
A expectativa de diplomatas é que o chefe do Executivo brasileiro adote um tom de cobrança aos países ricos, exigindo a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). Adotado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) há mais de 50 anos, o mecanismo funciona como a principal fonte de financiamento e transferência de recursos dos países industrializados para promover o bem-estar econômico e a infraestrutura em nações vulneráveis.
Na véspera da abertura da cúpula, nesta segunda-feira (15), Lula reuniu-se por 40 minutos com o presidente francês, Emmanuel Macron. A pauta bilateral concentrou-se na área de defesa nacional, com ênfase no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), além de tratativas de cooperação fronteiriça entre o estado do Amapá e a Guiana Francesa. Durante o encontro, Macron sinalizou o interesse francês na venda de supercomputadores ao Brasil.
Os líderes também discutiram a ampliação do acesso a insumos médicos pelos países do Sul Global. Na arena de saúde coletiva, o Brasil lidera uma mobilização dentro do G7 voltada à preparação para crises sanitárias. Em documento conjunto divulgado nesta segunda, o presidente Lula e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, reforçaram a urgência de concluir a negociação do Acordo Global sobre Pandemias.
A agenda do presidente brasileiro na França inclui ainda reuniões bilaterais estratégicas, entre elas um encontro confirmado com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Tensões Geopolíticas: Oriente Médio e Ucrânia em Pauta
O primeiro dia de debates da Cúpula foi dominado pela segurança internacional. No Oriente Médio, Washington e Teerã sinalizaram um acordo preliminar para interromper as hostilidades na região, com assinatura formal projetada para a próxima sexta-feira.
Paralelamente, os chefes de Estado concluíram a primeira reunião de trabalho dedicada à guerra na Ucrânia, que contou com a presença do presidente Volodymyr Zelensky. Embora tenha evitado detalhar as deliberações técnicas, o líder ucraniano enfatizou que a prioridade absoluta permanece em “fortalecer a defesa aérea da Ucrânia e avançar na diplomacia, para que a Rússia ponha fim à guerra”.
Os painéis da tarde do G7 devem estender as discussões econômicas para o mercado de commodities, com foco nas cadeias globais de suprimentos e na exploração sustentável de minerais estratégicos necessários para a indústria de tecnologia e energia limpa.

