Quando a oposição se divide para enfrentar um governante politicamente unido, a derrota é certa.
Para além dos tradicionais partidos políticos que sempre o apoiaram — e isto desde a sua primeira eleição —, na próxima disputa eleitoral o presidente Lula continua contando com o apoio de várias lideranças dos partidos oposicionistas, a despeito de alguns deles já terem indicado candidatos à presidência da República.
O partido presidido por Gilberto Kassab é um deles e, por ser o que estruturalmente mais evoluiu desde a sua origem, jamais se posicionou como sendo de direita, esquerda ou de centro.
Em relação ao MDB, de saudosas memórias, o partido continua literalmente dividido — diria até, regionalmente —, posto que o MDB da nossa região Sul apoiará a candidatura Flávio Bolsonaro e o da região Nordeste está fechado com a candidatura Lula. Em relação às demais candidaturas, como a de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, sequer dão ouvidos.
Como agora é tarde e Inês está morta, a nossa próxima disputa eleitoral se dará baseada na polarização Lula/Bolsonaro, como se estivéssemos atrás de construir um herói, e isto em plena discordância com as recomendações do imortal Bertolt Brecht. E o que recomendava ele? “Infeliz o país que precisa de heróis”.
Como o ex-presidente Jair Bolsonaro jamais deu a mínima importância aos partidos aos quais esteve filiado — prova disto é que já foi filiado a uma dezena deles —, o surgimento da polarização Lula/Bolsonaro passou a depender, única e exclusivamente, do próprio Jair Bolsonaro, e candidaturas do tipo Tarcísio de Freitas jamais poderiam prosperar.
O próprio Eduardo Bolsonaro, o mais belicoso entre os familiares de Jair Bolsonaro, já refugiado nos EUA, pregava: na atividade política, não raro, é melhor perder do que ganhar. Foi sob esta orientação que o então ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu a candidatura de Flávio Bolsonaro, e a potencial candidatura de Tarcísio de Freitas veio a ser descartada.
Resultado: sem alternativa, a nossa próxima disputa presidencial se dará entre o atual presidente Lula e a criatura criada pelo próprio Jair Bolsonaro, no caso, a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Que a candidatura Flávio Bolsonaro não tardou a alcançar os 40% de aceitação, até mesmo para os partidários da candidatura Lula já era esperado, afinal a polarização assim determinava. Portanto, restava saber para onde iriam os 10% dos eleitores — eu no meio deles — que discordavam da referida polarização.
Se, em defesa da sua própria família, é melhor perder com o próprio Jair Bolsonaro do que ganhar sem ele, resta-nos tão somente esperar pela abertura das urnas.

