Publicado em 16/07/2026
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Por Alessandra Karoline
O governo brasileiro reagiu com forte indignação à decisão da Casa Branca de impor uma tarifa de 25% sobre produtos de exportação nacionais. Em nota oficial divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o Palácio do Planalto classificou a medida norte-americana como um “marco lastimável” na história diplomática entre os dois países e anunciou que estuda medidas de retaliação e o acionamento de organismos internacionais.
A taxação extraordinária baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos, dispositivo que permite ao país aplicar sanções unilaterais a parceiros comerciais sob alegação de práticas desleais. Para o Brasil, a medida carece de justificativa econômica e jurídica.
O principal argumento brasileiro contra o tarifaço é o histórico da balança comercial. De acordo com o comunicado oficial, dados do próprio governo dos Estados Unidos revelam que, nos últimos 15 anos, os norte-americanos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas transações com o Brasil.
Além disso, a nota enfatiza a abertura do mercado nacional para os produtos vindos do hemisfério norte:
Livre de impostos: Em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no Brasil sem pagar nenhuma taxa alfandegária.
Alíquota mínima: A tarifa média cobrada sobre os produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, afirma o Palácio do Planalto, ressaltando que o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações que corram fora das regras multilaterais de comércio.
Defesa do Pix, regulação das Big Techs e combate ao desmatamento
O governo brasileiro revelou que, ao longo do último ano, tentou demonstrar ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que as acusações que motivaram a sanção eram infundadas. Entre os alvos dos EUA estavam o sistema de pagamentos Pix, as políticas brasileiras de regulação de plataformas digitais e a área ambiental.
A resposta brasileira na nota foi enfática ao defender a soberania de suas políticas internas:
O Pix: Classificado pelo Planalto como “patrimônio do povo brasileiro” e referência internacional de infraestrutura digital de pagamentos.
Redes Sociais: O governo declarou que não recuará na defesa de minorias e crianças contra o que chamou de “ganância de tecno-oligarcas”, disparando que “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”.
Meio Ambiente: A nota classificou como “absurdas” as acusações sobre negligência climática, pontuando que, desde 2023, o país combate incisivamente ilícitos ambientais e reduziu o desmatamento em todos os biomas.
A insatisfação com a medida não se restringe ao governo. Durante audiências públicas promovidas pelo órgão norte-americano USTR na semana passada, 63 das 78 manifestações feitas por empresários e representantes do setor privado — tanto brasileiros quanto dos próprios EUA — foram contrárias à aplicação das tarifas.
Diante do cenário de hostilidade tarifária, o governo brasileiro anunciou uma contraofensiva em três frentes principais para blindar a economia doméstica:
Proteção à Indústria Nacional: Utilização do Plano Brasil Soberano para criar barreiras de proteção e auxílio financeiro aos setores produtivos diretamente afetados pela tarifa de 25%, visando a preservação de empregos.
Retaliação Legal: O Planalto informou que dará início imediato aos trâmites para acionar os mecanismos da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. Paralelamente, o Brasil reabrirá o caso no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Foco em Novos Parceiros: O país pretende acelerar a diversificação de mercados de exportação, apoiando-se em acordos recentes do Mercosul com blocos como a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura.
Fonte: Agência Gov

