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Morre Benedito Ruy Barbosa, mestre da teledramaturgia e do universo rural, aos 95 anos

Publicado em 07/07/2026

Foto: Reprodução

Por Alessandra Karoline

A teledramaturgia brasileira perdeu um de seus maiores e mais influentes nomes. Morreu nesta terça-feira, aos 95 anos, o dramaturgo e novelista Benedito Ruy Barbosa. O autor estava internado no Hospital do Coração (HCor), na capital paulista, tratando de complicações decorrentes de uma insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada por familiares.

Nascido em 17 de abril de 1931, no município de Gália (SP), Benedito passou a infância em Vera Cruz, também no interior paulista. A região cafeeira, fortemente marcada pela presença de colônias de imigrantes italianos e japoneses, serviu de principal matéria-prima e inspiração para as sagas que, décadas mais tarde, emocionariam milhões de telespectadores.

Do jornalismo ao Teatro de Arena

Antes de se consagrar nas telas da televisão, Benedito Ruy Barbosa teve uma trajetória profissional diversa: trabalhou como auxiliar de guarda-livros, funcionário de banco, revisor, redator publicitário e repórter de jornais impressos.

Sua estreia no universo das artes aconteceu na literatura, em 1959, com o livro Fogo Frio. A obra já trazia a temática rural que viria a se tornar sua marca registrada. O livro foi posteriormente adaptado para o teatro pelo renomado diretor Augusto Boal e encenado no Teatro de Arena, faturando o prêmio de Melhor Montagem Teatral da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

A estreia na televisão ocorreu em 1966, na TV Tupi, com a novela Somos Todos Irmãos — uma adaptação do romance A Vingança do Judeu.

Benedito Ruy Barbosa fixou seu nome na história da TV brasileira ao retratar o Brasil profundo, longe dos grandes centros urbanos. Suas tramas priorizavam o homem do campo, os conflitos de terra, a política interiorana e o folclore nacional. Entre suas produções de maior sucesso nesse segmento estão Meu Pedacinho de Chão, Paraíso, Cabocla, Renascer e O Rei do Gado.

Outro pilar fundamental de sua obra foi a epopeia dos imigrantes que ajudaram a construir o país, retratada com enorme sucesso em folhetins como Os Imigrantes (na TV Bandeirantes), Vida Nova, Terra Nostra e Esperança. Embora focado em textos originais, o autor também assinou adaptações literárias memoráveis para a TV Globo, como O Feijão e o Sonho e Sinhá Moça.

Em 1990, Benedito Ruy Barbosa fez história ao levar o projeto de Pantanal para a extinta TV Manchete, após a história ser recusada na Globo. A trama que retratava o universo de Juma Marruá e a exuberância do ecossistema pantaneiro quebrou o monopólio da audiência na época, derrotando frequentemente o principal horário de novelas da concorrência e tornando-se um dos maiores marcos da cultura pop nacional.

O talento de Benedito atravessou gerações na própria casa. Suas filhas, Edilene e Edmara Barbosa, atuaram como colaboradoras e coautoras em diversos projetos, além de liderarem releituras de textos do pai. O neto do autor, Bruno Luperi, seguiu o mesmo caminho e assinou com o avô a última novela inédita de Benedito para a televisão, Velho Chico, exibida em 2016.

Nas últimas duas décadas, Barbosa consolidou-se como o autor mais revisitado da TV brasileira. Pelo menos seis de suas obras originais ganharam novas versões de grande apelo popular nos anos 2000, incluindo as recentes e aclamadas superproduções de Pantanal (2022) e Renascer (2024), provando o caráter atemporal de suas histórias.

O velório e o sepultamento do escritor devem ocorrer em São Paulo, restritos a familiares e amigos próximos.

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