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quinta-feira, 28 de maio de 2026
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Agora é tarde

Publicado em 28/05/2026

Por que não a candidatura de Tarcísio de Freitas para concorrer à presidência da República?

Simples assim: porque lhe faltava o sobrenome Bolsonaro. Afinal de contas, para o ex-presidente Jair Bolsonaro, se desprovido de seu sobrenome, ele jamais emprestaria o seu capital eleitoral a nenhum outro candidato, inclusive ao próprio Tarcísio de Freitas.

A propósito, e a história está aí para comprovar, os nomes de Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, antes da definição da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, chegaram a ser cogitados — lembremo-nos disso.

O nome de Michelle foi posto fora de cogitação porque o seu sobrenome não era de sangue, e sim decorrente do terceiro casamento do chefão do clã Bolsonaro. Demais a mais, enteado não gostou de madrasta.

Porém, tarde e com atraso, a nossa chamada direita deve estar profundamente arrependida por ter entregado ao ex-presidente Jair Bolsonaro a escolha da candidatura presidencial que deveria concorrer com o candidato da chamada esquerda — no caso, com o presidente Lula, um tradicional ganhador de nossas eleições presidenciais.

Os impressionantes percentuais obtidos pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, antes da explosão do escândalo do Banco Master, decorriam da nossa radical polarização política, e não do potencial eleitoral dele próprio enquanto pré-candidato.

Por que as demais pré-candidaturas da direita — entre elas a de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, entre outras — se renderam às pretensões “familiocratas” do próprio Jair Bolsonaro e não avaliaram os riscos que adviriam de suas próprias rendições?

Se para os “Bolsonaros de sangue” era melhor perder com um deles do que ganhar com qualquer outro candidato, ao que tudo indica, suas pretensões estiveram neste caminho. O “qualquer candidato” era o recado que mandavam para o então pré-candidato Tarcísio de Freitas, o único dos candidatos com chances de derrotar o candidato Lula, este em busca do seu quarto mandato.

Que a candidatura de Flávio Bolsonaro já foi para o brejo, não há mais o que discutir. Mas, caso a mesma seja mantida, apenas os votos dos radicais antilulistas cairão na sua cuia, jamais no seu colo.

Sem mais poderem contar com a candidatura de Tarcísio de Freitas, isto pelo fato de ela se encontrar inelegível, e sem a menor chance de a candidatura de Flávio Bolsonaro se recuperar — dados os efeitos devastadores que resultaram da explosão da bomba “Banco Master” —, só restará à nossa direita esperar pelas eleições de 2030, e não se entregar, de corpo e alma, a um presidente que, a seu tempo, tentou aplicar um golpe de Estado na nossa democracia.

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