Publicado em 01/06/2026
Foto: Reprodução
Em uma entrevista franca e detalhada concedida ao programa O X da Questão, da TV Rio Branco (afiliada à TV Cultura), conduzido pelo jornalista José Alexandre da Silva, o ex-prefeito da capital e pré-candidato ao governo do estado, Tião Bocalom, apresentou as diretrizes que devem nortear o seu plano de governo. Acompanhado de sua esposa, Kelly, Bocalom usou sua vasta experiência administrativa para defender bandeiras históricas como a produção agrícola, ao mesmo tempo em que propôs uma guinada tecnológica sem precedentes na Amazônia por meio da Inteligência Artificial (IA).
O programa iniciou-se em tom solene, com um editorial focado no seminário “Acre Desenvolvimento e Oportunidades”, promovido recentemente pelo grupo político do pré-candidato. Ao longo de mais de uma hora de debate, Bocalom destrinchou suas propostas para a infraestrutura, saúde, segurança pública e combate à burocracia ambiental.

Um Seminário de Ideias e Alianças de Peso
Bocalom comemorou o sucesso de público do seminário realizado no auditório do Sebrae, que superou a capacidade máxima de 250 lugares, registrando mais de 410 credenciados. O evento chamou a atenção por reunir lideranças empresariais e do setor produtivo que historicamente evitam palanques políticos, como o presidente da Federação da Agricultura, Jorge Moura (um dos maiores produtores de grãos do estado), e representantes do grupo Recol.
“Esse pessoal só vai a um lugar se realmente acreditar no projeto. Ninguém nunca viu esse pessoal em movimento político”, destacou o entrevistador, endossado por Bocalom.
Propostas Estruturantes: BR-364 em Concreto Armado
Provocado por perguntas dos telespectadores sobre as péssimas condições de trafegabilidade na principal rodovia do estado, Bocalom apresentou uma solução ousada para o trecho que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul: a pavimentação em concreto armado.
Embora a BR-364 seja de jurisdição federal (DNIT), o pré-candidato afirmou que, se eleito governar o Acre, buscará convênios para que o próprio estado execute as obras. “Fazer esse ‘macadame’ que estão fazendo aí custa caro. Nossos engenheiros provam que o concreto armado, com 20 a 25 centímetros e malha de ferro, sairá mais barato a longo prazo. Pode abrir um buraco embaixo na terraplenagem que o concreto não afunda”, garantiu. Ele se colocou à disposição para construir os primeiros 10 quilômetros com recursos estaduais como teste.

O Fim da “Florestania” e o Foco no Café e no Leite
Relembrando sua trajetória pioneira em Acrelândia há mais de três décadas, Bocalom ironizou os antigos defensores do conceito de “Florestania” — modelo de desenvolvimento baseado exclusivamente no extrativismo florestal adotado por governos passados.
“Os mesmos donos da ‘Florestania’, que diziam que a floresta ia salvar o Acre e me chamavam de louco porque eu só falava em terra e produção, hoje estão plantando café. Eles não plantam castanha ou seringueira, plantam café!”, alfinetou. O ex-prefeito reiterou que a base da agricultura familiar do Acre precisa ser o café adensado e a bacia leiteira, resgatando também o papel de indústrias estatais de fomento como a antiga Ecajecre para garantir a compra e o escoamento da produção de arroz, milho e feijão.
O Primeiro Centro de Inteligência Artificial do Brasil
Uma das propostas mais inovadoras apresentadas na entrevista foi a criação, em Rio Branco, do primeiro Centro de Treinamento e Discussão sobre Inteligência Artificial do Brasil voltado à gestão e ao setor produtivo .
Bocalom lembrou os avanços tecnológicos de sua gestão na prefeitura da capital — como a entrega de tablets, notebooks, internet Starlink para escolas rurais e programas de robótica alemã. Para o estado, ele planeja aplicar a IA intensamente na agricultura e nos serviços públicos. “Hoje, os drones com IA conseguem sobrevoar uma lavoura de soja e identificar exatamente onde está o foco de lagartas, permitindo aplicar o defensivo apenas ali, gerando uma economia brutal. Não dá mais para fugir da tecnologia”, defendeu.
Choque de Gestão: Regionalização da Saúde e Parceria com a PF
No campo da saúde, Bocalom criticou a centralização dos atendimentos de alta complexidade em Rio Branco. O plano defendido pelo grupo, elaborado com o auxílio do ex-secretário de saúde Pedro Pascoal, prevê hospitais de referência robustos em cada regional e unidades municipais capazes de realizar partos e pequenas cirurgias. “A criança mora em Porto Acre, mas precisa nascer em Rio Branco porque o hospital de lá não funciona. Isso está errado. Tarauacá e Feijó precisam de um Hospital Regional urgente com todos os serviços”, cobrou .
Na segurança, o pré-candidato sou como credencial o investimento de R$ 10 milhões no sistema de videomonitoramento de Rio Branco e celebrou um feito inédito: “Fui o único prefeito entre mais de 5.500 municípios do Brasil a assinar um convênio direto de monitoramento com a Polícia Federal. Nem São Paulo ou Curitiba têm isso”. Ele pretende replicar a integração das polícias Civil, Militar e Federal em todo o interior.

Combate à Legislação Ambiental “Desumana”
Ao criticar duramente a atual legislação ambiental federal e a ministra Marina Silva, Bocalom classificou as restrições impostas aos produtores da Amazônia como “desumanas”. O político relatou episódios em que órgãos como o ICMBio derrubaram benfeitorias de moradores antigos da Reserva Chico Mendes que passaram a criar gado após o colapso econômico da borracha.
“Esses ambientalistas moram em casas com piscina e têm médico na porta. Quero ver irem morar lá dentro para ver o drama do povo que não tem dinheiro para um remédio. Se eleito, serei um leão mordendo o tempo todo em Brasília para mudar essa legislação. O ser humano tem direito à dignidade”, esbravejou, apostando em uma bancada forte em Brasília com o senador Márcio Bitar para reverter as regras de manejo e desmate.
Honestidade como Selo de Gestão
Com o jargão popular “se não roubar, o dinheiro dá”, Bocalom enfatizou que, em décadas de vida pública, nunca respondeu a processos por corrupção. Ele relembrou que a prefeitura de Rio Branco chegou a acumular quase R$ 450 milhões em recursos próprios em caixa por conta de auditorias rígidas e economia em compras, como na aquisição de medicamentos, onde uma licitação de R$ 33 milhões foi reduzida para R$ 12 milhões com fiscalização severa. “Essas coisas vêm de berço. Meu pai e minha mãe sempre me ensinaram: o que é teu é teu, o que não é, deixa lá”, concluiu.
A entrevista encerrou-se com falas da ex-chefe de gabinete e esposa do candidato, Kelly, reforçando a união e a preparação da dupla para os desafios estaduais, seguida da exibição de um vídeo institucional e de registros de ações de saúde itinerantes realizadas pela Santa Casa da Amazônia no interior do estado.
Assista à entrevista na íntegra através do link oficial no YouTube: O X DA QUESTÃO 31/05 – TV Rio Branco

