Publicado em 19/06/2026
Desgraçadamente, o nosso país subestimou os nossos partidos políticos e priorizou pessoas.
Nos EUA, há mais de 100 anos, apenas dois partidos políticos se revezam no poder: o Republicano e o Democrata. Na Inglaterra, não mais que dois partidos — e eventualmente um terceiro partido, o Liberal — influem nos seus resultados eleitorais. Nos EUA, o regime é o presidencialista e, na Inglaterra, vige o parlamentarismo monárquico. Daí a importância dos partidos políticos em uma democracia.
Infelizmente, no nosso país, os nossos partidos políticos, ao longo de todos os tempos, prestam-se apenas como legenda e não como escola para o nosso aprendizado político. O resultado não poderia ser outro a não ser a anarquia político-partidária que, agora mais do que nunca, estamos vivenciando.
A polarização lulismo/bolsonarismo já nos fez crer que chegamos ao fundo do poço em matéria de organização política. Para provar que sim, nada menos que uma dezena de candidaturas disputa a presidência da nossa República — muitas delas só encontram justificativa a título de deboche. A exemplificar, a candidatura do Cabo Daciolo à presidência da nossa República.
Se maldito é o país que precisa de herói, como bem preceituou o imortal Bertolt Brecht, dada a impossibilidade de construirmos nossos próprios heróis, se nada mudar — e como não há mais tempo para mudanças —, a nossa próxima disputa presidencial se dará à base do anti-heroísmo. Ou seja, mais de 90% dos nossos eleitores tendem a sufragar a candidatura de Lula ou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Simples assim: os anti-lulistas votarão em Flávio Bolsonaro e os anti-bolsonaristas votarão no candidato Lula.
Politicamente, nada mais desastroso. Afinal de contas, a quadra 2027/2030 promete ser ainda pior que a atual, posto que a composição do nosso Congresso Nacional contará com senadores e deputados federais de mais de 20 partidos políticos distintos.
Sem espaço para uma candidatura da chamada terceira via, de antemão e por força da nossa nociva polarização pessoal, candidaturas do tipo Romeu Zema e Ronaldo Caiado não prosperarão. Até porque, impossibilitados de enfrentar a candidatura de Flávio Bolsonaro e colocando-se apenas contra a candidatura de Lula, jamais ultrapassarão os 5% dos votos nacionais e, consequentemente, não chegarão ao segundo turno.
Volto a repetir: enquanto a nossa atual estrutura partidária se mantiver, jamais o nosso sistema político tomará jeito; inclusive, a nossa democracia jamais se fortalecerá. Se nas eleições de 1989 Fernando Collor se elegeu presidente filiado a um tal de PRN e, nas eleições de 2018, Jair Bolsonaro se elegeu filiado a um tal de PSL, nada mais precisará ser dito.

