Publicado em 19/06/2026
Foto: Roberta Aline/MDS
Por Alessandra Karoline
A fome no Brasil registrou uma redução expressiva entre os anos de 2022 e 2024. A insegurança alimentar grave despencou mais de 70% entre as parcelas historicamente mais vulneráveis da população brasileira, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) nesta quinta-feira (18).
Os números foram apresentados pela secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, durante o evento Sustentar 2026, realizado em Florianópolis. O levantamento cruzou indicadores obtidos pela Rede Penssan em 2022 com os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024.
O recuo da extrema vulnerabilidade social foi impulsionado pelo direcionamento de políticas públicas a recortes demográficos específicos. Nos lares chefiados por mulheres, a queda da fome chegou a 77,7% no período analisado. Quando a liderança familiar é exercida por mulheres negras, o recuo atingiu 75,5%.
A redução também beneficiou de forma acentuada as seguintes categorias:
Lares chefiados por pessoas negras: queda de 73,4%;
Crianças e adolescentes (menores de 18 anos): redução de 72,4%.
De acordo com o ministério, o resultado positivo é fruto do Plano Brasil Sem Fome, elaborado após a retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) em 2023. A estratégia vinculou a geração de renda e a valorização do salário mínimo à ampliação dos programas de proteção social.
“Conseguimos reduzir a fome de forma mais intensa entre crianças e adolescentes, nos lares chefiados por mulheres e nos lares chefiados por pessoas negras. É importante destacar esses avanços porque eles dizem muito sobre o projeto de país que temos o compromisso de construir, um país que combate a fome ao mesmo tempo em que enfrenta as desigualdades”, ressaltou Valéria Burity.
Recordes históricos no Norte, Nordeste e Campo
Além dos índices sociais, o balanço de 2024 consolidou as menores marcas históricas de insegurança alimentar grave em áreas historicamente impactadas pela desigualdade geográfica:
Região Norte: índice caiu para 6,2%;
Região Nordeste: atingiu a marca de 4,8%;
Domicílios rurais: recuo para 4,6%.
A melhora do cenário nutricional reflete a mobilidade socioeconômica do país. O monitoramento do MDS aponta que 5,2 milhões de cidadãos saíram da extrema pobreza e outros 21 milhões deixaram a condição de pobreza. O período foi favorecido pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), pela redução no preço dos alimentos (deflação do setor) e pela queda contínua do desemprego.
Próximos passos: consolidação das metas com o III Plansan
Para manter a tendência de queda, o Governo Federal aposta na implementação do III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O projeto prevê o fortalecimento da governança do Sisan e foca na transição para sistemas alimentares sustentáveis, resilientes às severas mudanças climáticas.
O novo plano prioriza o fortalecimento da agricultura familiar e incentiva a produção tradicional promovida por comunidades indígenas e quilombolas. As metas de médio prazo incluem o incentivo às compras públicas de alimentos, a expansão do crédito agrícola e o combate estrutural às disparidades de gênero e raça no acesso à terra e à água.
Fonte: Agência Gov

