Publicado em 18/06/2026
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Por Alessandra Karoline
O lateral-direito Danilo concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (17), detalhando o ambiente interno da Seleção Brasileira durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026. Aos 34 anos e em seu terceiro Mundial, o camisa 13 comentou sobre o período de três semanas de convivência com o técnico Carlo Ancelotti, a importância de blindar promessas como o atacante Endrick e a necessidade de recuperar o equilíbrio emocional após os sustos na partida de estreia contra Marrocos.
Antes de responder às perguntas dos jornalistas, Danilo iniciou a coletiva prestando solidariedade ao ex-técnico Carlos Alberto Parreira, que foi internado recentemente. O gesto foi endossado pelo ex-jogador e tetracampeão Zinho, que também estava presente na sala de imprensa e recebeu parabéns do lateral pelo seu aniversário.
Ao avaliar as três semanas completas de treinamento da delegação brasileira, Danilo foi enfático ao reconhecer as melhorias logísticas estruturadas pela atual gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pelo diretor de seleções, Rodrigo Caetano. Segundo ele, as mudanças trouxeram “direcionamento e tranquilidade” para que os atletas se concentrem estritamente no desempenho de campo.

“Existe um planejamento e uma organização que é das melhores que já tive aqui dentro. Isso vai trazer muito benefício a curto prazo, para essa Copa do Mundo, mas também a médio e longo prazo na criação de identidade dos jogadores desde a base”, afirmou o defensor, utilizando a metáfora do bambu chinês para ilustrar a necessidade de resiliência na consolidação dos processos internos.
Questionado sobre a tônica do treinador italiano em definir os titulares poucas horas antes de a bola rolar — fato que gerou debate na imprensa —, Danilo minimizou a polêmica. O lateral explicou que o futebol moderno exige flexibilidade tática e adaptações constantes em função do adversário.
Núcleo duro: O defensor apontou que a Seleção conta com um núcleo fixo de “seis, sete ou oito jogadores” principais, enquanto três ou quatro vagas restantes giram conforme as estratégias de cada partida.
Preparação individual: “Se ele me falar dez minutos antes que eu tenho que entrar, a minha preparação e a forma de estar com o grupo é a mesma. Já aconteceu comigo no Manchester City de o Guardiola falar: ‘Você vai jogar de zagueiro agora’, e eu nunca tinha jogado ali. Depende da interpretação de cada um”, pontuou.
Autocrítica sobre a estreia contra Marrocos
O jogador não escondeu o incômodo com o rendimento da equipe nos primeiros 30 minutos do empate na estreia contra Marrocos. O lateral admitiu que o nervosismo e as trocas constantes no ciclo anterior pesaram na construção da identidade coletiva do grupo, gerando ansiedade em campo.

“Aquele primeiro tempo foi completamente aquém das nossas capacidades e daquilo que pede a camisa da Seleção Brasileira. Assustou porque existia uma expectativa interna muito grande de fazer um jogo de pressão”, confessou.
Danilo ressaltou que a conversa no vestiário serviu para recuperar o equilíbrio emocional: “Maturidade também é aceitar que em alguns momentos a posse de bola e o comando do jogo serão do adversário. Precisamos desenvolver espírito de sacrifício, fechar os espaços e, quando tivermos a brecha com a qualidade dos nossos jogadores de frente, ir lá e botar a bola para dentro”.
Proteção a Endrick e blindagem física
Um dos temas mais repercutidos foi a situação de Endrick, que não foi acionado por Ancelotti na estreia. Danilo classificou a jovem promessa como uma “joia rara que tem estrela” e assegurou que o elenco mais experiente, incluindo nomes como Casemiro e Neymar, encara o atual torneio como a “última chance” de suas carreiras, estando totalmente dispostos a dar suporte para o protagonismo dos mais jovens.

Sobre seu papel tático na ala direita após o corte do lateral Wesley, Danilo descartou que tenha limitações físicas e detalhou suas características atuais: “Se você precisar de um lateral que faça o corredor todo e dê profundidade o tempo todo, eu não serviria. Mas se precisar de um jogador que encurte distâncias, dê apoio na construção e funcione como um equilibrador para o time, eu sirvo bastante”.
Convivência no confinamento
Com a projeção de enfrentar até 47 dias de concentração caso o Brasil chegue à grande final, Danilo destacou a relevância de atividades de lazer no hotel — como torneios de pingue-pongue e encontros na fisioterapia — e elogiou a folga recente concedida pela comissão técnica para almoços com os familiares. “É fundamental encontrar esses mecanismos para fugir da tensão dos treinos e aliviar a pressão do torneio”, concluiu o lateral.

