Publicado em 12/05/2026
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Por Redação
O Acre caminha na contramão da tendência nacional e registra queda no número de famílias endividadas. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), apurados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC), o índice de abril é o menor registrado desde agosto do ano passado.
Enquanto o Brasil atingiu a marca de 80,9% de famílias endividadas — um recorde na série histórica que alcança mais de 14,7 milhões de lares —, o Acre apresentou uma redução de 0,54% no volume de dívidas em comparação a março, totalizando 107.877 famílias com algum tipo de compromisso financeiro.
Perfil da Dívida e Inadimplência
Apesar da melhora nos índices gerais, o cenário ainda exige cautela. No estado, o contingente de famílias com contas em atraso caiu 1,54%, somando 50.512 lares. No entanto, um dado preocupa: o número de famílias que admitem não ter condições de quitar seus débitos nos próximos meses subiu 0,2%, saltando para 15.397.
Assim como no restante do país, a crise financeira atinge com mais força a base da pirâmide econômica:
Faixa de Renda: A maior concentração de dívidas está entre famílias que recebem até três salários mínimos.
O “Vilão”: O cartão de crédito segue como a principal origem do endividamento, sendo amplamente utilizado para o parcelamento de bens de consumo não duráveis (como alimentos e itens de uso diário).
Comparativo: Acre vs. Brasil
A estabilidade nos índices de inadimplência nacional contrasta com a mobilização do setor público por meio de programas como o Desenrola 2.0. Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, o momento exige um debate profundo sobre o custo do crédito no país.
No Acre, a Fecomércio interpreta a queda recente como um sinal de que os consumidores locais estão tentando administrar melhor o orçamento doméstico para evitar o colapso financeiro.
Apesar dos números positivos no curto prazo, as perspectivas para o segundo semestre são pessimistas. A Fecomércio-AC alerta que fatores macroeconômicos devem pressionar o bolso do acreano em breve.
“Há uma tendência de aumento no número de famílias endividadas nos próximos meses. O ambiente econômico do país, a taxa Selic ainda elevada e as recentes altas nos preços dos combustíveis e da energia elétrica elevam consideravelmente o custo de vida no Acre”, explica Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio-AC.
Segundo a entidade, o aumento dos custos fixos (energia e transporte) costuma ser o gatilho para que as famílias percam o controle das contas e voltem a recorrer ao crédito rotativo, reiniciando o ciclo de inadimplência.

