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Política

Na CPAC, Flávio compara Bolsonaro a Trump e associa Lula a facções

Publicado em 29/03/2026

Flávio Bolsonaro na CPAC (CPAC/Reprodução)

Diante de plateia conservadora, pré-candidato faz ataques ao governo do petista e diz que seu pai foi ‘o aliado mais leal’ do republicano

Por Valéria França | VEJA

O palco não poderia ser mais propício para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No maior e mais antigo encontro anual de ativistas e líderes conservadores nos Estados Unidos, o CPAC 2026, o pré-candidato à Presidência da República fez um discurso de 15 minutos, no sábado, 28, marcado por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Judiciário brasileiro, críticas à esquerda latino-americana e acenos ao público conservador alinhado ao ex-presidente Donald Trump.

Flávio comparou a trajetória política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, à do presidente americano, sugerindo paralelos entre os dois políticos no enfrentamento à esquerda em seus países. Em tom incisivo, o senador acusou o governo Lula de atuar, segundo ele, em favor de facções criminosas brasileiras e de adotar uma política externa contrária aos interesses dos Estados Unidos. Sem apresentar provas, afirmou que o presidente brasileiro faria “lobby” por grupos como o Comando Vermelho e o PCC, além de privilegiar relações com países como China, Cuba e Irã.

Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível“, declarou, ao defender um realinhamento do Brasil com Washington. O senador destacou ainda que seu pai “foi o aliado mais leal” de Trump e “o último líder mundial” a reconhecer Joe Biden como presidente dos Estados Unidos após a eleição de 2020 no país.

O apelo de Flávio acontece em um momento em que Lula e Trump mantêm relações cordiais. Depois de um período marcado por desconfiança mútua, o presidente americano se aproximou do brasileiro e chegou a dizer que teve uma “excelente química” com o petista. Os dois governos agora tentam articular uma visita de Lula à Casa Branca, ainda sem data.

O discurso de Flávio na CPAC teve ainda forte tom político-eleitoral. Ao longo da fala, Flávio voltou a criticar a esquerda na América Latina, que classificou como um bloco ideológico organizado, e disse que a direita voltará a vencer no Brasil, em uma mensagem dirigida tanto ao público internacional quanto à sua base política.

A participação do senador foi antecedida pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, apresentado no evento como “ex-deputado federal em exílio”, que o chamou ao palco. Eduardo teve o mandato parlamentar cassado diante de sua ausência na Câmara.

A presença deFlávio no CPAC ocorre em meio à intensificação de sua agenda internacional e reforça a estratégia de aproximação com lideranças da direita global. O evento é considerado uma das principais vitrines do conservadorismo mundial e reúne políticos, empresários e ativistas alinhados a essa corrente.

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