Publicado em 27/05/2026
Foto: Ascom/Feijó
Por Redação
Quatro municípios do Acre — Rio Branco, Feijó, Tarauacá e Manoel Urbano — integram a lista de áreas prioritárias para o controle do desmatamento na Amazônia, devido aos elevados índices de perda de vegetação nativa registrados entre 2019 e 2025. Os dados constam no Relatório Anual de Desmatamento (RAD2025), publicado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (27), que consolida as ações de fiscalização, embargos e autorizações emitidas por órgãos federais e pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC).
Os números revelam um cenário de alerta para o estado, caracterizado pelo alto volume de derrubadas e por baixos índices de autorização legal para a supressão de florestas.
Feijó lidera a destruição no estado
Entre os municípios monitorados no Acre, Feijó registrou o cenário mais crítico em volume de destruição florestal. Ao longo dos sete anos analisados, a localidade acumulou 68.774 hectares desmatados. Desse total, as autorizações legais concedidas cobriram apenas 6,7% da área explorada.
Embora as ações de fiscalização tenham atingido 54,5% do território desmatado, o índice de resposta do poder público em Feijó ainda ficou bem abaixo de outras frentes críticas da Amazônia. No município de Apuí (AM), por exemplo, a taxa de controle (fiscalização ou autorização) chegou a alcançar 93,1% da área degradada.
Capital com baixa cobertura de legalidade
A capital do estado, Rio Branco, acumulou 42.920 hectares de florestas destruídas no mesmo período. O dado mais alarmante da capital diz respeito à legalidade: apenas 5,3% de toda a área desmatada contava com algum tipo de autorização prévia, seja ela federal ou estadual. Quando somadas as frentes que receberam fiscalização ou que possuíam autorização legal combinadas, o índice de resposta em Rio Branco foi de 44,6%.
Cenário em Tarauacá e Manoel Urbano
Outros dois municípios acreanos aparecem com destaque negativo no relatório do MapBiomas devido à pressão sobre a cobertura vegetal:
Tarauacá: Registrou 42.416 hectares desmatados entre 2019 e 2025. O índice de cobertura, que une ações de fiscalização e autorizações, foi o menor entre os quatro municípios do estado, ficando em 36,5%.
Manoel Urbano: Contabilizou 26.486 hectares de área desmatada. Desse montante, 47,8% do território contou com algum tipo de intervenção ou ação de controle por parte das autoridades ambientais.
O RAD2025 serve como um termômetro para que os órgãos governamentais direcionem estratégias de combate aos crimes ambientais, indicando as regiões que necessitam de fiscalização urgente e de cortes em linhas de crédito para propriedades rurais embargadas.

