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Líder indígena do Acre é selecionada para programa de direitos humanos da ONU em Genebra

Publicado em 30/05/2026

Foto: Reprodução

Por Redação

A força e o protagonismo das mulheres indígenas do Acre ganharão as telas e os debates de um dos principais palcos diplomáticos do mundo. Xiú Shanenawá (nome de registro Gemina Brandão Borges) foi oficialmente selecionada para o prestigiado Programa de Bolsas para Representantes Indígenas do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). A formação de alto nível será realizada em Genebra, na Suíça, entre os dias 22 de junho e 17 de julho de 2026.

Atualmente, Xiú está à frente da coordenação da Sitoakore, associação que representa 18 povos indígenas distribuídos em mais de 450 aldeias no Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia. Recentemente graduada em Administração pelo Instituto Federal do Acre (Ifac) – Campus Rio Branco e fundadora do projeto social Fadas em Ação, a líder encara a oportunidade como um marco histórico.

“Como mulher indígena, sair da aldeia e chegar a um espaço internacional tão importante como a ONU é motivo de muita alegria, orgulho e responsabilidade. Essa conquista não é apenas minha, mas também do meu povo, das mulheres indígenas e de todas as lideranças que lutam diariamente”, destacou.

Processo seletivo rigoroso

A vaga foi conquistada após um afunilamento global composto por três etapas eliminatórias. O processo incluiu análise curricular minuciosa, entrevista online em ambiente internacional e uma avaliação aprofundada de sua trajetória na articulação política, social e de defesa dos direitos humanos.

A aprovação foi oficializada por meio da Carta de Confirmação de Bolsa (Fellowship Award Confirmation Letter), emitida pela Seção de Povos Indígenas e Minorias da ONU. O documento reforça que o objetivo central da iniciativa é aprimorar a capacidade técnica de lideranças tradicionais para que apliquem o conhecimento especializado ao retornarem aos seus países de origem.

Impacto prático na Amazônia

O programa da ONU visa capacitar defensores para que saibam como acionar mecanismos internacionais de proteção jurídica e humanitária. O foco é promover incidência política direta nos debates globais sobre crise climática, justiça social e regularização de territórios.

Para Xiú Shanenawá, o intercâmbio somará ferramentas técnicas à sua formação acadêmica recente, fortalecendo sua atuação na defesa coletiva das etnias da região. A presença da ativista em Genebra consolida o papel de liderança que as mulheres indígenas vêm assumindo na vanguarda da preservação dos saberes ancestrais da Amazônia.

Antes de embarcar para a Europa, a coordenadora cumprirá uma agenda de formação preparatória em Brasília (DF), onde alinhará as principais pautas que irá ecoar diante da comunidade internacional.

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