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Governo do Acre realiza fórum estadual sobre a Educação de Jovens e Adultos

Publicado em 08/10/2025

“Estou inscrito no Enem e quero fazer Veterinária”. Essa afirmação foi feita por Valdemir dos Santos, estudante da segunda etapa do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da escola Raimundo Gomes. Assim como ele, mais de 16 mil alunos estudam nessa modalidade de ensino.

Valdemir dos Santos participou, na noite desta terça-feira, 7, da abertura do I Fórum Estadual de Partilha da EJA, realizada no auditório do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O evento também comemora um ano de adesão do Estado e dos 22 municípios acreanos ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo.

Encontro reuniu representantes de todos os municípios acreanos. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Da solenidade de abertura participaram, o secretário-adjunto de ensino da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), Sebastião Flores; a vice-presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Fátima Miranda; a coordenadora pedagógica da Undime, professora Eliane Leite; e o chefe do Departamento da EJA, Jessé Dantas.

O Fórum Estadual de Partilha da EJA é um momento para se promover um espaço qualificado de diálogo, de troca de experiências, além do fortalecimento das políticas públicas voltadas à educação de jovens e adultos, uma iniciativa que visa a construção coletiva para a superação do analfabetismo.

Fórum de Partilha realizou a troca de experiências do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Já a história de Valdemir Santos se entrelaça às milhares que acontecem com os estudantes da EJA. Quando criança, morava ao longo da rodovia Transacreana e não teve a oportunidade de estudar. Logo se casou e voltou à sala de aula somente em 2023, ingressando na alfabetização.

“Minha experiência com a EJA tem sido muito boa porque foi onde eu comecei a me alfabetizar. Fiz o Enceja e fui para o ensino médio e agora estou na segunda etapa. Então, a EJA mudou a minha vida como pessoa, como trabalhador e até me ensinou a me comunicar melhor”, disse.

Experiências exitosas

O chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da SEE, professor Jessé Dantas, explica que além de debater sobre as políticas públicas, também é uma troca sobre as experiências exitosas em relação à EJA. Além disso, lembra que no final do encontro será traçado um plano de ação para o próximo ano.

“Além das experiências exitosas, também estaremos analisando os desafios elaborando um plano de ação para a superação do analfabetismo e a qualificação da EJA, que é justamente o que diz o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo, essa valorização da modalidade. Lá em junho de 2024, quando o pacto foi lançado pelo governo federal, o Acre foi um dos primeiros estados a aderir a essa política nacional, justamente por compreender a necessidade dessa modalidade de ensino”, disse.

Chefe do Departamento da EJA, professor Jessé Dantas: “Plano de ação para 2026”. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Responsabilidade de todos

De acordo com a coordenadora pedagógica da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, seccional Acre (Undime/Acre), professora Eliane Leite, ofertar a modalidade da educação de jovens e adultos é responsabilidade de todos os 22 municípios acreanos.

Professora Eliane Leite: “Compartilhamos desafios e conquistas”. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Por meio de articuladores, formadores regionais, coordenação pedagógica, estamos compartilhando um ano de pacto, de desafios, de conquistas, e traçando as metas para que a gente conclua 2025 e que venhamos a planejar 2026. Esse é o momento que estamos no processo de construção. A partir de hoje, iniciaremos o plano de ação por regionais”, explicou.

“Oportunidade que não tive”

Quem também faz questão de agradecer a EJA é Vilcimar Castro de Souza. Ele estuda na escola Luiza Batista de Souza. “Estudar na EJA está sendo uma experiência muito boa, que eu nem sei como explicar direito, porque foi a oportunidade que não tive quando era jovem”.

Vilcimar Castro: ‘Oportunidade que não tive quando era jovem’. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Natural de Tarauacá, veio para Rio Branco e aos dez anos foi ajudar o pai, que era carpinteiro. “Por isso, está sendo muito gratificante, porque o que eu aprendo só quem tira é Deus e mais ninguém”, afirma.

Vilcimar  conta que na juventude não conseguiu estudar, além do trabalho, em decorrência da rebeldia: “Eu caí um pouco na vida, mas graças a Deus me recuperei e hoje tenho família, tenho netos e não tenho o que reclamar da EJA. Ela tem mudado a minha vida demais. Adquiri um conhecimento que há seis meses eu não tinha”.

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