Publicado em 15/07/2026
Foto: Reprodução
Por Alessandra Karoline
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), instaurou uma Notícia de Fato Criminal para investigar a atuação de facções criminosas e ameaças de morte contra uma liderança indígena no município de Porto Walter, localizado no interior do estado.
Como parte das investigações, uma equipe do MPAC realizou, nesta terça-feira (14), uma diligência emergencial à aldeia afetada para colher depoimentos e obter provas que subsidiarão o relatório técnico do caso.
As investigações apontam que a comunidade indígena virou alvo devido à sua localização estratégica. Facções criminosas têm tentado controlar as calhas fluviais da região para garantir rotas seguras para o narcotráfico transnacional. Para consolidar esse domínio, os criminosos vêm submetendo os moradores locais ao clima de terror e cooptando pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social.
Durante a visita à aldeia, os investigadores ouviram diversas lideranças e conseguiram identificar possíveis autores de crimes como: ameaça, tráfico de drogas, furto qualificado e promoção e integração de organização criminosa.
“A atuação das facções na região de fronteira impõe uma rotina de medo às comunidades tradicionais, que se veem encurraladas pela violência do tráfico”, destacou a equipe de investigação.
Devido ao difícil acesso à terra indígena, a ação foi viabilizada pelo apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), que disponibilizou aeronaves do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) para o transporte dos investigadores. A operação foi coordenada pelo promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, coordenador-geral do Gaeco em exercício.
A comitiva também contou com a participação de um servidor do Projeto Txai, iniciativa do MPAC que atua na defesa dos direitos fundamentais dos povos originários, que aproveitou a oportunidade para vistoriar e mapear as demandas locais nas áreas de segurança pública, saúde e educação.
Com a instauração do procedimento criminal, o Gaeco determinou uma série de medidas para dar celeridade ao caso. O Ministério Público já solicitou informações detalhadas à Polícia Civil de Porto Walter e iniciou o compartilhamento de dados de inteligência para identificar e prender os envolvidos.
Além disso, por se tratar de território indígena, o MPAC planeja realizar ações integradas e conjuntas com o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O objetivo da força-tarefa é intensificar a fiscalização, garantir a integridade física dos povos tradicionais e restabelecer a pacificação na região afetada.

