Publicado em 16/04/2026
Foto: Gleyson Luz
A espera por um recomeço pode ser silenciosa, mas nunca leve. Por quase um ano, Fábio Ribeiro da Silva, de 40 anos, conviveu com a dor, a limitação e a incerteza de quando voltaria a ter uma vida normal.
Fábio aguardava há cerca de oito meses por um transplante de tecido ósseo. Ele apresentava uma falha óssea na clavícula direita, ocasionada por trauma, condição que comprometia seus movimentos e qualidade de vida. O procedimento foi realizado com sucesso, representando um avanço importante em seu processo de recuperação e na oferta de tratamentos de alta complexidade no estado.
Na manhã desta quinta-feira, 16, às 8h, a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) pôs fim à espera de Fábio ao realizar o procedimento, conduzido pela equipe de transplantes da unidade. Este foi o quinto transplante de tecido ósseo realizado no estado.
A coordenadora de Serviços de Transplantes, Valéria Monteiro, destaca que a realização de um transplante é um momento de grande alegria para a equipe e ressalta que, no caso do tecido ósseo, o procedimento só se torna possível graças à parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).
“Nossos transplantes de tecido ósseo têm ocorrido com o apoio do Into do Rio de Janeiro, que é um banco de multitecidos. São eles que fazem toda a parte de capacitação e preparo dos tecidos e nos enviam”, explicou.
O cirurgião ortopédico, Rodrigo Vick, detalhou o procedimento realizado no paciente.
“O paciente sofreu uma fratura em 2005 e, há quase um ano, apresentou uma refratura. Ele já havia passado por uma cirurgia anterior, quando foi retirado osso da bacia para auxiliar na consolidação da clavícula; porém não houve consolidação. Por isso, realizamos agora uma cirurgia para tratar a pseudoartrose da clavícula, utilizando enxerto ósseo proveniente do INTO para favorecer a consolidação”, explicou.
O médico também comentou sobre o pós-operatório de Fábio.
“Ele deverá utilizar tipoia por um período de 15 a 30 dias e, posteriormente, iniciar a fisioterapia para recuperar a mobilidade e a força muscular”, completou.
Antes de entrar no centro cirúrgico, Fábio demonstrava confiança, alívio e gratidão.
“É um sentimento de alívio e gratidão. Antes, não tínhamos esse tipo de procedimento no estado; hoje, temos, e isso é muito bom.”
Mais do que um procedimento cirúrgico, a ação representa uma nova possibilidade para pacientes que aguardam por esse tipo de tratamento. Com a ampliação da oferta no estado, a expectativa é reduzir o tempo de espera e garantir que mais pessoas tenham acesso a cirurgias de alta complexidade.
A presidente da Fundhacre, Sóron Steiner, destacou a importância do procedimento como reflexo dos investimentos na saúde pública e do fortalecimento dos serviços de alta complexidade no estado.
“A realização de um transplante como esse demonstra a capacidade técnica das nossas equipes e o compromisso do Governo do Acre em ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade. Seguimos trabalhando para oferecer um atendimento cada vez mais resolutivo e digno à população acreana”, afirmou.
Fábio inicia agora uma nova etapa, marcada pela recuperação e pela expectativa de retomar suas atividades com mais qualidade de vida.
Sobre o transplante de tecido ósseo
O tecido ósseo doado é utilizado na reconstrução de áreas com perdas ósseas ou deformidades. O procedimento pode ser indicado em cirurgias ortopédicas, odontológicas e da coluna. Entre os benefícios, destacam-se a preservação de membros, a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, a redução do risco de rejeição de próteses e a maior segurança no processo de recuperação.
[Agência de Notícias do Acre]

