Publicado em 28/05/2026
O governo dos EUA assinou hoje a classificação das facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). A medida vale a partir do dia 5 de junho.
O UOL apurou que o documento foi assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio na tarde de hoje e é um resultado direto dos pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump, ao vice-presidente, JD Vance, e ao próprio Rubio, com quem ele esteve reunido nos últimos dois dias, na Casa Branca.
Pré-candidato à Presidência, Flávio tinha na pauta uma de suas principais bandeiras políticas. A segurança pública é um dos temas centrais na corrida eleitoral de 2026.
Como o UOL revelou em março, a medida tinha avançado no governo americano após intenso trabalho dos aliados do senador nos EUA, seu irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo.
Na ocasião, a medida só não entrou em efeito porque o chanceler brasileiro Mauro Vieira telefonou em caráter emergencial a Rubio, em um domingo à noite, com o pedido do Planalto para que os EUA esperassem a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Trump —e o avanço da negociação de ambos para uma cooperação em combate ao crime internacional— para tomar qualquer medida.
No encontro que teve com Trump na Casa Branca no começo deste mês, Lula não mencionou sua resistência à designação de PCC e CV, segundo afirmou em coletiva de imprensa. Integrantes do governo disseram ao UOL que se o presidente brasileiro trouxesse o assunto, estaria pautando a agenda bolsonarista.
O governo Lula é contrário à designação das facções brasileiras por ver riscos à soberania brasileira sobre seu território e potencial impacto na economia e no setor financeiro, já que a classificação permite ao Tesouro dos EUA sancionar empresas, fundos e bancos que tenham ligações com as facções. Desde março, a medida estava pronta, mas tinha ficado em suspenso no gabinete de Rubio.
Segundo a coluna apurou, o modelo aplicado a PCC e CV segue classificação usada pelos EUA para cartéis latino-americanos. A gestão Donald Trump já aplicou a medida a grupos como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.
No México, reportagens indicam que as designações provocaram sanções a ao menos três instituições financeiras e impacto econômico. Na Venezuela, a medida serviu de justificativa pública para a remoção militar pelos EUA de Nicolás Maduro do comando do país, em janeiro. O governo Trump também se valeu da medida para bombardear embarcações no Mar do Caribe.
Após a assinatura, a ordem é enviada ao Congresso e deve levar alguns dias para entrar em vigor, mas o procedimento seria meramente protocolar, sem possibilidade de reversão, segundo fontes no governo dos EUA ouvidos pela reportagem.
[Uol]

