Publicado em 08/07/2026
Foto: Reprodução
Por Redação
Os atendimentos e as cirurgias eletivas de ortopedia e traumatologia na rede pública do Acre podem sofrer uma paralisação parcial. A empresa GoiásMed Serviços Médicos Ltda., responsável pelo setor na rede estadual de saúde, notificou oficialmente a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) cobrando a regularização de pagamentos em atraso, sob pena de suspender parte das atividades a partir das 18h desta quarta-feira (8).
O ultimato foi enviado por meio de ofício direcionado ao secretário de Saúde do Estado, José Bestene, e à fiscal do contrato, Ingrid Leal da Silva. No documento, a prestadora de serviços condiciona a manutenção integral do contrato nº 140/2026 à quitação de um saldo remanescente do mês de fevereiro e ao pagamento integral das notas fiscais referentes a março.
Caso os valores não sejam repassados, a empresa confirmou que promoverá a suspensão dos procedimentos programados “como medida necessária e proporcional diante do agravamento da situação financeira decorrente do inadimplemento da contratante”.
Para não desassistir completamente a população, a GoiásMed informou que a paralisação será restrita aos procedimentos eletivos (aqueles que são agendados e não possuem caráter de urgência imediata).
“A eventual paralisação restringir-se-á, neste momento, aos atendimentos e cirurgias de caráter não urgente, permanecendo integralmente mantidos, exclusivamente, o atendimento e as cirurgias de urgência e emergência (plantões diários, noturnos, finais de semana e feriados) no HUERB/HGCRB”, esclarece o ofício.
Histórico de cobranças e faturamento em aberto
De acordo com a empresa, o colapso financeiro atual já havia sido previsto e comunicado à gestão estadual em 24 de junho, por meio de um primeiro alerta (Ofício nº 46/2026). Na ocasião, foi estipulado o prazo de 25 de junho para uma resposta ou solução administrativa por parte do governo, o que não ocorreu.
Até o início desta semana, o cenário de inadimplência apontado pela GoiásMed acumulava pendências em três meses consecutivos:
Fevereiro de 2026: Pago apenas parcialmente pela Sesacre.
Março de 2026: Permanece com faturamento totalmente em aberto.
Abril de 2026: Serviços prestados ainda aguardam a emissão da nota de empenho por parte do Estado para que possam ser faturados.
A prestadora argumenta que a situação configura “inadimplemento contratual continuado” e que a interrupção parcial decorre exclusivamente da falta de repasses financeiros do governo, e não por falha técnica da contratada.
Apesar do tom de alerta, a GoiásMed manifestou no encerramento do documento o desejo de manter a parceria institucional com o Estado. A empresa pede que, além dos pagamentos imediatos, a Sesacre emita a nota de empenho de abril e apresente um cronograma oficial para liquidar os demais meses pendentes. A administração da empresa garantiu estar à disposição para construir uma solução conjunta de forma célere.

