Publicado em 01/06/2026
No nosso país não existe lulismo nem bolsonarismo, sim, e simplesmente, antilulismo e antibolsonarismo.
Via de regra, 45% dos nossos eleitores afirmam que vão votar no candidato Flávio Bolsonaro porque não votarão no candidato Lula; e, de jeito nenhum e em igual percentual, outros 45% afirmam que votarão no candidato Lula porque não votarão no candidato Flávio Bolsonaro.
Em sendo assim, e se em todas as pesquisas o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, no quesito preferência, sempre aparecem nos primeiros lugares, enquanto os demais pré-candidatos — entre eles Romeu Zema, ex-governador do Estado de Minas Gerais, e o ex-governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado — sempre aparecem com percentuais nanicos e inferiores a 4%, tudo está nos levando a crer que o candidato que vier a ser eleito irá assumir as suas funções sendo rejeitado por, no mínimo, 45% dos nossos eleitores.
Isto é o resultado de um país que se deixou levar pela política do contra, presentemente pelo antilulismo e pelo antibolsonarismo ou, mais apropriadamente, pelo ódio ou qualquer outro sentimento ainda pior.
Daí a pergunta que não pode calar: qual o papel que vem sendo exercido pelos nossos partidos políticos se, de um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro impôs a candidatura do seu filho, Flávio Bolsonaro, e de outro, o presidente Lula, no curso do seu terceiro mandato, está buscando exercer um quarto mandato presidencial?
Portanto, se 90% dos nossos votos estão divididos entre o lulismo e o bolsonarismo, decerto o vencedor das nossas próximas eleições está nas mãos de 10% dos nossos eleitores. E o mais grave: enquanto a nossa atual legislação político-partidária se mantiver, coisas piores ainda estarão por vir. Para provar, basta que lembremos as eleições presidenciais de 1989, vencidas pelo então candidato Fernando Collor, filiado a um partideco apelidado pela sigla PRN, e as eleições de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro foi eleito por um partideco apelidado de PSL.
Lamentavelmente, no nosso país, os partidos se transformaram em verdadeiros balcões de negócios, melhor dizendo, de negociatas. Entre eles, e a título de exemplo, citaremos o PSD, ora presidido por Gilberto Kassab. A propósito, no Estado de São Paulo e em diversos outros estados, o PSD apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto em diversos outros, como no Estado da Bahia, o PSD é 100% lulista.
Nas democracias que se prezam, é de poucos partidos políticos que saem os candidatos em condições de se elegerem aos seus mais elevados postos de poder. Nos EUA, somente os filiados do Partido Democrata ou do Republicano se elegem presidente, e, no máximo, duas vezes. Mas, entre nós, o presidente Lula concorre a um quarto mandato.

