Publicado em 04/05/2026
Foto: Neilson Abdallah
Por Alessandra Karoline
Mais de cem vozes entre artistas, fazedores de cultura e gestores públicos se reuniram no último sábado, 2, no Museu dos Povos Acreanos, com o objetivo de fortalecer o fazer cultural como motor de transformação social. A “Conferência Popular de Cultura – Territórios que Falam, Cultura que Resiste” transformou o espaço em um território de escuta sensível e construção coletiva, posicionando a cultura como eixo fundamental para o desenvolvimento simbólico e econômico do Acre.
O encontro serviu como um importante fórum de debate, abordando desde a necessidade de democratização do acesso à arte até o enfrentamento da invisibilidade dos fazedores de cultura local.
Para a coordenadora geral e metodológica do Comitê de Cultura Acre, Claudia Toledo, a conferência representa um momento decisivo para o movimento. “É um processo onde as pessoas estão entendendo a força que temos. É um fortalecimento cultural em busca dos nossos direitos, de sermos vistos e de valorização total desse produto cultural, dessa cultura e dessas várias ‘Amazônias’ que temos aqui no Acre”, pontuou.

A programação integrou reflexão e celebração. A identidade acreana esteve presente em apresentações artísticas que incluíram o grupo musical do povo indígena Xixinawa, de Sena Madureira; a exibição do curta-metragem ‘O Nome’, da cineasta acreana Rose Farias; e a música do sanfoneiro Mestre Dondino e sua bandinha, de Porto Acre.
Um dos pontos altos do evento foi o debate sobre a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Em pauta, a necessidade de tratar a cultura não como custo, mas como investimento estratégico. O artista popular Gino Camilo da Silva, conhecido como “Lambada”, destacou as dificuldades enfrentadas pelos criadores locais.
“O grande gargalo da cultura popular é que ainda não existe um investimento direcionado. Hoje, eu mesmo construo minhas peças, figurinos e adereços. Tudo é centralizado no artista, e isso é muito pesado”, afirmou.
Durante a tarde, os participantes se dividiram em grupos de trabalho (GTs) para elaborar propostas estruturantes para o setor. Os eixos temáticos incluíram:
A cultura como investimento vital (PNAB);
A presença da arte em periferias e territórios ancestrais;
O papel da cultura no enfrentamento às violências;
Democratização do acesso físico e simbólico.
Todo o debate culminou na elaboração da “Carta da Conferência”, um documento que funciona como um manifesto reunindo as diretrizes e os sonhos do setor cultural acreano. O texto sistematiza as reivindicações dos artistas para subsidiar futuras políticas públicas no estado.
A jornada foi realizada pelo Comitê de Cultura Acre, no âmbito do Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura (PNCC/MinC), com o apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e parceria da Federação de Teatro do Acre (Fetac).

