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quarta-feira, 8 de julho de 2026
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Com padrinhos bem avaliados, candidatos apostam na força da máquina para decolar

Publicado em 23/05/2026

INAUGURAÇÕES - Alex e Ratinho: investimentos de mais de 2 bilhões de reais em projetos de infraestrutura no Paraná (Geraldo Bubniak/AEN/.)

Afilhados de governadores populares esperam reverter o cenário decepcionante nas pesquisas com obras e a influência dos aliados

Por Por Nicholas Shores | VEJA

Reza uma das máximas da política que só o imponderável ou uma dose muito exagerada de incompetência é capaz de impedir o sucesso de um candidato que tem a máquina administrativa a seu dispor. Há exceções, mas essa tem sido a regra. Nas eleições de 2022, dos vinte governadores que disputaram a reeleição, dezoito foram bem-sucedidos. Dos nove que estavam no fim do segundo mandato, seis conseguiram fazer o sucessor. Em outubro, dezoito concorrerão à reeleição com chances de vitória, segundo as pesquisas mais recentes, e sete vão se dedicar a colocar no cargo um aliado. Em alguns estados, porém, a regra será colocada à prova, já que a transferência de votos não tem sido automática, mesmo sendo o padrinho do candidato um campeão de popularidade e aprovação.

O Paraná é um dos maiores exemplos dessa dificuldade. O governador Ratinho Junior (PSD) tem sua gestão avaliada positivamente por 80% da população. No mês passado, ele surpreendeu ao anunciar que estava desistindo de concorrer ao Palácio do Planalto para se dedicar à campanha local, onde seu afilhado político amarga um incômodo quarto lugar. Pré-candidato do PSD, o deputado federal Sandro Alex tem apenas 12,3% das intenções de voto. À frente dele estão o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (14,7%), o deputado estadual Requião Filho (18,1%) e, disparado na liderança, o senador Sergio Moro (39,4%). Quando o nome de Alex é vinculado ao padrinho, porém, ele sobe para a segunda colocação, com 26,2%, atrás apenas do ex-juiz da Lava-Jato, apoiado pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).

DESAFIO - Zema e Simões: esforço para se tornar mais conhecido a tempo (Cristiano Machado/Imprensa MG/.)

Ratinho Junior acredita que pode operar a virada a partir de uma combinação. Sandro Alex comandou até o mês passado a secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná. O governador é reconhecido pelo volume de realizações. No início do mês, ele e o ex-secretário estavam juntos na cerimônia de inauguração de uma ponte que custou 400 milhões de reais e era reivindicada pelos paranaenses havia mais de sessenta anos. A obra faz parte de um pacote de mais de 2 bilhões de reais em investimentos que inclui estradas e hospitais — “conquistas do time de Ratinho Junior”, como definiu o pré-candidato. “Quase 70% da população acredita que o governador deveria dar continuidade a seu trabalho apresentando um nome, e eu represento isso”, acrescentou Sandro Alex.

O panorama é parecido no Rio Grande do Sul. O governador Eduardo Leite (PSD) também pretendia disputar a Presidência da República. Preterido pelo partido, acabou permanecendo no Palácio Piratini para tentar fazer o vice Gabriel Souza como sucessor. As pesquisas mostram uma disputa polarizada entre Juliana Brizola, do PDT, e o deputado federal Luciano Zucco, do PL. O emedebista, estacionado na casa de um dígito, acha que os eleitores só vão começar a prestar atenção ao debate eleitoral a partir de agosto. “Hoje, a população está preocupada com a vida real, trabalho, renda e segurança. Tenho convicção de que, quando os gaúchos compararem os projetos, nossa candidatura vai crescer por representar equilíbrio fiscal, reconstrução, investimentos e a evolução do Rio Grande do Sul, sem permitir retrocessos”, declarou. Ele admite que espera colher frutos da aprovação do governador, mas minimiza a influência da máquina administrativa na campanha: “Ninguém vence eleição apenas com apoio político ou estrutura de governo”.

PELO CENTRO - Leite e Souza: dificuldades para romper a polarização (Rodrigo Ziebell/GVG-RS/.)

Um terceiro presidenciável enfrenta o mesmo desafio. Romeu Zema deixou o governo de Minas Gerais com 52% de aprovação e hoje é pré-candidato do Novo. Mateus Simões, seu sucessor no estado, amarga um pífio quarto lugar nas pesquisas, com apenas 4% das intenções de voto. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera com 30%, seguido pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), que tem 14%. Rodrigo Pacheco (PSB), escalado por Lula para concorrer com apoio do PT, mal alcançou dois dígitos nas pesquisas e acabou desistindo. “Os vices não são percebidos até que entrem no cargo. Em julho, quando terei quatro meses de mandato, as pessoas vão entender quem é apoiado por Zema”, destacou o candidato em uma recente entrevista a VEJA.

EM FAMÍLIA - Brandão e Brandão: campanha do tio para o sobrinho (@orleansbrandao/Instagram)

A máquina administrativa é poderosa, particularmente nos estados mais pobres. No Maranhão, o governador Carlos Brandão se desentendeu com seu vice, o petista Felipe Camarão, e, para não dar chance ao ex-aliado de usar o governo em benefício próprio, decidiu permanecer no posto. Bem avaliado (66%), o governador vai se empenhar em eleger Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho, como sucessor. O emedebista está em segundo lugar, 27 pontos atrás do líder, o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD). “Apesar de algumas limitações legais, as funções do Estado não deixam de existir durante o período eleitoral e podem ser convertidas em vantagens para quem tem a caneta na mão”, lembra o cientista político Valdir Pucci.

INVERSÃO - Ibaneis e Celina: o padrinho dependendo da ajuda da afilhada (Kiko Paz/Agência Brasília/.)

Até o fim do ano passado, o Distrito Federal era uma das unidades da federação que tendia a confirmar a regra. Ibaneis Rocha planejava deixar o governo carregando um confortável índice de aprovação (63%) que lhe garantia uma vaga no Senado. Celina Leão, a vice, que assumiu no lugar dele, também tinha no horizonte uma eleição tranquila ao Palácio do Buriti. O imponderável, porém, aconteceu. O caso Master colocou Ibaneis no centro de um escândalo financeiro. O governador deixou o cargo no mês passado, mantendo o projeto de concorrer ao Senado, mas sua aprovação vem derretendo — e, consequentemente, colocando em risco os planos de Celina Leão. A governadora, que liderava os levantamentos com relativa folga, hoje aparece em quarto lugar (19,6%), em empate técnico com o petista Leandro Grass (24,9%), o ex-governador José Roberto Arruda (22%) e o senador Izalci Lucas, do PL (20,7%). Para tentar se afastar do turbilhão, Celina tem se dedicado a encontrar uma solução para a crise do Banco de Brasília (BRB), pilhado em transações financeiras escusas com o Master, e a acelerar a entrega de um cardápio de obras nos próximos meses. Para tentar se desvincular do escândalo do banco de Daniel Vorcaro, Celina se afastou do padrinho e disse que herdou do antigo aliado uma “grave crise no BRB” e “um rombo bilionário nas contas públicas”.

EXCEÇÃO - Vilela e Caiado: ótima avaliação e aliado liderando (Cristiano Borges/Governo Goiás/.)

Peculiaridades à parte, a regra tem se mostrado plenamente válida em outros lugares. Ronaldo Caiado (PSD) deixou o governo de Goiás no mês passado, assumiu a pré-candidatura à Presidência da República e ostenta o título de governador mais bem avaliado do país (84%). Se nada de excepcional acontecer daqui até outubro, o candidato dele à sucessão local, o vice Daniel Vilela (MDB), deve permanecer entre os favoritos. Na última pesquisa divulgada, o emedebista registrou 41,2% das intenções de voto, seguido pelo ex-governador Marconi Perillo (23,3%), o senador Wilder Morais (10,3%) e a petista Adriana Accorsi (9,2%). “Há um desejo da manutenção de garantia da continuidade das conquistas e eu me apresento como aquele que vai garantir essas conquistas”, disse Vilela. Sem uma reviravolta, é provável que a eleição em Goiás caminhe para uma definição em segundo turno. A máquina, nessa hora, pode fazer toda a diferença.

 

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