Publicado em 25/05/2026
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Por Alessandra Karoline
O debate sobre o fim da escala 6×1 entra em sua fase mais crítica nesta segunda-feira (25). Com a meta de concluir a votação na Câmara dos Deputados ainda no mês de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na manhã de hoje com o presidente da Casa, Hugo Motta, para destravar o principal impasse do texto: a regra de transição para o novo modelo de trabalho.
O impasse em torno do prazo de transição foi o responsável direto pelo adiamento da leitura do parecer na semana passada. Enquanto partidos de oposição apresentaram emendas que sugerem um prazo de adequação de até 10 anos para as empresas, o Governo Federal defende uma aplicação imediata, embora nos bastidores já sinalize aceitar um meio-termo para garantir o consenso.
A reunião de alto escalão conta também com a presença dos ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho). Após o alinhamento com o Planalto, Hugo Motta deve se encontrar com o relator da matéria, o deputado Leo Prates (PDT-BA), que já adiantou publicamente rejeitar propostas que prevejam uma transição longa.
O que já está pacificado na proposta?
Apesar das divergências sobre o tempo de implementação, os pontos centrais da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já contam com ampla convergência entre as lideranças políticas:
Redução da jornada máxima: Queda de 44 para 40 horas semanais;
Nova escala: Adoção do modelo 5×2 (cinco dias trabalhados por dois de descanso);
Garantia salarial: Proibição expressa de qualquer redução nos salários dos trabalhadores.
Cronograma acelerado: meta é votar até quinta-feira
O cronograma desenhado pelas lideranças da Câmara é considerado apertado. O plano prevê que o relatório final seja apresentado na Comissão Especial no fim da tarde desta segunda-feira, abrindo caminho para uma verdadeira corrida legislativa ao longo da semana.
O objetivo da cúpula do Congresso é votar o texto na Comissão Especial e levá-lo ao plenário da Câmara até a próxima quinta-feira, dia 28 de maio.
Por se tratar de uma PEC, o rito de aprovação é rigoroso e exige quórum qualificado. O texto precisará passar por dois turnos de votação no plenário da Câmara e obter o apoio de, no mínimo, 308 deputados em cada uma das rodadas.
Caso os deputados cumpram o acordo e aprovem a proposta até quinta-feira, a PEC do fim da escala 6×1 seguirá para o Senado Federal, onde iniciará uma nova etapa de tramitação pelas comissões e plenário daquela Casa.

