Publicado em 26/03/2026
Kalinovskiy/Getty Images/ CNN Brasil
Por CNN Brasil
Medida preventiva mantém resposta rápida ao H5N1 em meio a avanço de casos e alerta regional após novo foco na Argentina
O governo federal prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional devido à circulação do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), subtipo H5N1, conhecida como gripe aviária. A medida foi oficializada nesta quinta-feira (26), por meio da Portaria nº 896, e tem caráter preventivo.
A decisão busca manter a capacidade de resposta do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) diante do avanço da doença em aves no país. Com a prorrogação, o governo preserva instrumentos que permitem a adoção rápida de ações de contenção e erradicação de focos, além de garantir a mobilização de recursos federais e a articulação com estados, municípios e entidades não governamentais.
O Brasil registra circulação do vírus desde maio de 2023, quando foi confirmado o primeiro foco em aves silvestres. Já o primeiro caso em ave comercial ocorreu dois anos depois, em maio de 2025, elevando o nível de atenção das autoridades sanitárias e do setor produtivo.
Até o momento, foram contabilizados 188 focos da doença no país e a maior parte dos casos está concentrada em aves silvestres, com 173 registros. Outros 14 casos ocorreram em criações de subsistência e apenas um foi identificado em plantel comercial.
Apesar do número reduzido em granjas comerciais, o governo mantém o status de alerta elevado para evitar impactos na produção avícola e possíveis restrições ao comércio internacional.
A prorrogação da emergência sanitária reforça a estratégia de vigilância contínua e resposta rápida para conter a disseminação do vírus no território brasileiro.
Ainda em março, o governo do Rio Grande do Sul confirmou um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, em Santa Vitória do Palmar, na região da Reserva do Taim.
Argentina
A medida também ocorre em um momento de atenção redobrada em todo a América do sul, após a confirmação de terceiro foco de gripe aviária na Argentina, o que levou à suspensão das exportações do país, aumentando a preocupação com os desdobramentos sanitários e comerciais no mercado internacional.
O país perdeu, no fim de fevereiro, sua condição de livre da doença perante a OMSA (Organização Mundial de Sanidade Animal).
Com a perda do status sanitário internacional, as exportações para países que exigem a condição de território livre de influenza aviária foram suspensas. Segundo o Senasa (Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina), no entanto, acordos bilaterais permitem a continuidade das vendas de produtos avícolas para mais de 35 países que adotam critérios de regionalização e compartimentação.

