Publicado em 14/07/2026
Foto: Alessandra Karoline
Por Alessandra Karoline
No Boa Noite Rio Branco desta terça-feira (14), o apresentador Antônio Muniz recebe a desembargadora Regina Ferrari, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). Em entrevista, a magistrada abre o jogo sobre a rotina exaustiva da toga, os desafios de levar a Justiça aos pontos mais isolados do estado e defende a urgência de um olhar mais empático e humano nas decisões judiciais.
No centro da filosofia de atuação da magistrada está a firme convicção de que a sentença judicial nem sempre é a melhor resposta para um conflito. Para Regina Ferrari, a mediação e o acordo entre as partes têm o poder de transformar litígios históricos.

“A conciliação reconstrói pontes que o processo judicial, muitas vezes, acaba por dinamitar.”
A magistrada detalhou as severas dificuldades logísticas enfrentadas para realizar audiências nos municípios mais distantes. São horas de viagem por estradas intrafegáveis ou rios sinuosos, enfrentando riscos reais para garantir que o cidadão do interior tenha acesso aos seus direitos.
Nesse cenário desafiador, Regina destacou a dependência estrutural que o Tribunal de Justiça tem das prefeituras municipais para viabilizar as atividades no interior, explicando como essa parceria direta — ou a falta dela — interfere diretamente na velocidade de resolução dos processos.
Quem vê a imponência da toga raramente imagina o desgaste físico e mental dos magistrados. Regina Ferrari revelou acordar muito cedo e manter uma rotina rígida de atividades físicas para suportar o ritmo frenético e blindar a saúde contra a pressão do cargo.
Como vice-presidente do TJAC, a desembargadora também explicou o funcionamento prático de seu cargo, detalhando as regras de admissibilidade de recursos e as chamadas “travas” processuais que definem quais ações reúnem condições de subir para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e para o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.

Um Apelo à Educação, à Família e à Cultura de Paz
No bloco final, a magistrada direcionou sua fala diretamente à sociedade. Com um tom comovente, alertou que a desestruturação dos lares é uma das principais raízes da criminalidade juvenil, convocando pais e mães a exercerem um papel ativo e presente na vida dos filhos.
Aos estudantes, deixou um conselho baseado em sua própria história:
“Os livros e a educação são o único caminho verdadeiramente seguro para a transformação de vida.”
Em tempos de crescente polarização e violência, inclusive nos ambientes virtuais, a desembargadora clamou por um pacto social baseado na cordialidade, na empatia e em pequenos gestos diários que promovam uma cultura de paz.

Por fim, ao refletir sobre o papel do Estado, Regina Ferrari deixou um questionamento profundo para gestores e cidadãos: até onde deve ir o poder de punir e onde deve começar o acolhimento preventivo? Para ela, estruturar socialmente a população é o único caminho viável para que, no futuro, o país não precise focar seus esforços na construção de novas cadeias.
Não perca! O programa vai ao ar hoje, às 21h30, na TV Rio Branco (afiliada à TV Cultura), canal 8.1:

