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Análise: Acre atinge o menor nível de endividamento em 25 anos

Publicado em 09/04/2026

Foto: Ailton Guimarães

Por Redação

Um levantamento detalhado da trajetória fiscal do Acre, baseado nos relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), revela uma mudança estrutural nas contas públicas. Após atingir picos históricos de endividamento na década passada, o Estado chega a 2025 com a Dívida Consolidada Líquida (DCL) em seu patamar mais baixo em um quarto de século: R$ 1,49 bilhão.

Para garantir a precisão da análise, todos os valores foram atualizados pelo IPCA (base dezembro/2025), permitindo uma comparação real entre as diferentes gestões, desde o primeiro mandato de Jorge Viana até o atual governo de Gladson Cameli.

Do Pico ao Ajuste: O Comportamento da Dívida

A série histórica mostra que o Acre viveu ciclos distintos de expansão e retração fiscal. Em 2002, a dívida representava 72% da Receita Corrente Líquida (RCL). Esse volume cresceu substancialmente nos anos seguintes, atingindo o ápice em 2014, quando o estoque da dívida chegou a R$ 5,8 bilhões.

Período (Final de Gestão) Dívida (DCL) em Reais Reais* % da Receita (RCL)
2002 (Jorge Viana) R$ 2,61 bilhões 72%
2014 (Tião Viana) R$ 5,80 bilhões 62%
2025 (Gladson Cameli) R$ 1,49 bilhão 13%

Valores atualizados pelo IPCA (Dez/2025)

A partir de 2014, iniciou-se uma trajetória de queda consistente. A redução foi acentuada nos últimos sete anos, período em que a arrecadação do Estado triplicou, saltando de R$ 3,6 bilhões para R$ 11,3 bilhões, diluindo o peso da dívida sobre o orçamento.

Evolução por Gestões

Ciclo de Ajuste (1999–2006): Os governos Jorge Viana focaram na reorganização da herança do endividamento com a União, reduzindo a DCL em cerca de 20% no acumulado dos dois mandatos.

Ciclo de Expansão (2007–2014): Nas gestões de Binho Marques e no primeiro mandato de Tião Viana, houve uma forte guinada para a contratação de crédito visando investimentos (como a BR-364), levando a dívida ao seu recorde histórico.

Ciclo de Redução (2015–2025): Após a crise macroeconômica de 2015, o Estado iniciou um corte gradual que se intensificou na gestão Gladson Cameli. Entre 2018 e 2025, a dívida recuou mais de 70% em termos reais.

Alívio no Orçamento

A melhora nos indicadores não se limita ao estoque da dívida, mas reflete também no custo do seu serviço. Em 2002, o Estado gastava 11,6% de sua receita apenas com juros e amortizações. Hoje, esse comprometimento caiu para 4,4%.

Essa folga financeira representa maior capacidade de investimento próprio e sustentabilidade para políticas públicas, embora especialistas alertem para o desafio de manter esse equilíbrio no longo prazo e evitar novos ciclos de endividamento agressivo.

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