Publicado em 26/06/2026
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Por Redação
Uma mudança sem precedentes no perfil da mortalidade hospitalar acendeu o sinal de alerta na saúde pública do Acre. O Boletim Epidemiológico nº 21 sobre Síndromes Respiratórias, publicado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), revela que as mortes de crianças menores de dois anos provocadas pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atingiram o maior patamar de sua série histórica em 2026. Em contrapartida, os óbitos entre idosos apresentaram uma queda acentuada nos últimos três anos.
Entre as semanas epidemiológicas 1 e 23 de 2026, o estado registrou nove óbitos de crianças menores de dois anos por SRAG. O número aponta um crescimento contínuo e alarmante se comparado aos anos anteriores: em 2024, foram contabilizadas três mortes nessa faixa etária, e em 2025, cinco registros. O cenário foi classificado pela Sesacre como uma “transição crítica”.
Os dados oficiais detalham uma redução expressiva na mortalidade entre idosos com 60 anos ou mais. O número de mortes nessa população caiu de 67 em 2024 para 41 em 2025, chegando a 15 em 2026 — o que representa uma queda de aproximadamente 78% em relação ao primeiro ano analisado.
Essa dinâmica provocou uma alteração profunda na distribuição proporcional das mortes no estado:
| Perfil dos Óbitos por SRAG no Acre | Ano de 2024 | Ano de 2026 |
| Participação de Idosos (60 anos ou mais) | 51,54% | 30% |
| Participação de Jovens (0 a 19 anos) | Menor expressão | 52% |
De acordo com as autoridades de saúde, o avanço dos casos graves acompanha o aumento da circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que se consolidou como o principal agente viral identificado em pacientes hospitalizados em 2026.
O reflexo direto desse panorama está na ocupação dos leitos hospitalares. Embora os menores de dois anos registrem a maior letalidade, a pressão por internações por SRAG atinge toda a ala infantil:
Crianças de 2 a 4 anos: lideram as internações com 343 casos;
Idosos (60 anos ou mais): registram 305 internações;
Crianças de 5 a 9 anos: somam 304 hospitalizações;
Crianças menores de 2 anos: contabilizam 248 casos.
Diante de uma “inversão epidemiológica sem precedentes”, a Sesacre emitiu recomendações emergenciais para a rede de saúde. O órgão orientou o reforço imediato no monitoramento de leitos de enfermaria e de UTI pediátrica, a ampliação da vigilância epidemiológica e a intensificação das estratégias de vacinação voltadas aos grupos prioritários, visando conter a pressão sobre o sistema hospitalar acreano.

