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Fórum Brasil-África: Reitora Guida Aquino insere a Ufac na rota de novos acordos internacionais

Publicado em 28/05/2026

Foto: Reprodução/Ufac

Por Alessandra Karoline

O 1° Fórum de Reitores Brasil-África foi encerrado na quarta-feira (27) com um marco histórico para a diplomacia acadêmica e a internacionalização do ensino superior. Representantes de universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais aprovaram por aclamação a Carta de Brasília, documento oficial que sela o compromisso mútuo de cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e as nações do continente africano para os próximos anos.

Promovido pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Capes e a Andifes, o evento ocorreu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). Ao longo de três dias, a cúpula reuniu delegados de 244 instituições diferentes com o objetivo de formular políticas conjuntas baseadas na horizontalidade e na produção compartilhada de conhecimento.

Ufac integra comitiva em Brasília para articular parcerias internacionais no 1º Fórum de Reitores Brasil-África

A reitora Guida Aquino atendeu ao convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministério da Educação (MEC) para chefiar a delegação acreana no encontro, que se estendeu até quarta-feira (27) com foco na expansão da cooperação internacional no ensino superior.

A gestora viajou acompanhada pela pró-reitora de Inovação e Tecnologia da instituição, Almecina Balbino Ferreira. O objetivo da comitiva é inserir o Acre na rota dos novos acordos de intercâmbio científico e mobilidade estudantil com o continente africano.

Foto: Reprodução/Ufac

Para a reitora Guida Aquino, a participação da Ufac no evento representa uma oportunidade estratégica de projeção global para a Amazônia Sul-Ocidental, além de permitir o compartilhamento de tecnologias sociais e biológicas desenvolvidas no Acre.

“Temos histórias, identidades e desafios que nos aproximam, e a universidade tem um papel fundamental nessa conexão. A aproximação entre Brasil e África por meio da educação, da pesquisa, da inovação e da troca de experiências permite avançar em soluções conjuntas para desafios que são comuns a ambos os territórios”, declarou a reitora.

Redes de cooperação e áreas estratégicas

O fórum foi concebido de forma conjunta pelo MEC, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Pelo lado estrangeiro, a mobilização de dezenas de reitores ficou sob a responsabilidade da prestigiada Associação de Universidades Africanas (AAU).

Os grupos de trabalho e workshops foram divididos para atender a demandas em setores considerados prioritários para o desenvolvimento econômico das nações envolvidas:

Tecnologia: Inteligência artificial e setor aeroespacial.

Matrizes Energéticas: Energias renováveis, mineração, petróleo e gás.

Sustentabilidade e Sociedade: Agricultura tropical e ciências humanas.

Foto: Divulgação/MEC

A Carta de Brasília sintetiza as contribuições das universidades participantes e estabelece as prioridades estratégicas para o desenvolvimento do ensino superior. O plano prevê que o Fórum se transforme em uma instância de diálogo permanente, com uma nova edição global já prevista para ocorrer até 2028.

Dentre as metas prioritárias estabelecidas no documento, destacam-se:

Mobilidade e Financiamento: Ampliação do intercâmbio de estudantes e professores, com a abertura de interlocução junto a agências de fomento e organismos multilaterais para diversificar fundos de financiamento.

Ciência Aberta: Criação de mecanismos integrados para veicular e democratizar o acesso à produção científica de ambos os lados do Atlântico.

Inclusão e Diversidade: Fomento à diversidade linguística e a políticas de ensino orientadas à igualdade social e à transformação cidadã.

Mais de 150 parcerias e reuniões bilaterais

Para além das diretrizes teóricas, o fórum gerou resultados práticos imediatos por meio de rodadas de negócios acadêmicos. Foram consolidados mais de 150 acordos bilaterais de cooperação e intercâmbio científico em setores estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico.

Áreas Estratégicas dos Acordos Foco de Pesquisa Conjunta
Tecnologia e Inovação Inteligência Artificial e sistemas de dados
Recursos Naturais Mineração sustentável e transição energética
Produção e Subsistência Agricultura tropical e segurança alimentar
Sociedade Ciências Humanas e formação de professores

Paralelamente às negociações de tratados, a programação abrigou o Seminário “Universidades em Foco”. A atividade cnsistiu em 38 encontros temáticos onde reitores e acadêmicos compartilharam projetos de extensão e pesquisas já em andamento.

Os debates centraram-se na responsabilidade territorial das instituições de ensino, discutindo o impacto direto da produção acadêmica na preservação do meio ambiente e na melhoria das condições de vida das comunidades periféricas e regionais onde os campi estão inseridos.

O encontro contou ainda com o suporte institucional do Instituto Guimarães Rosa, braço cultural e educacional do Ministério das Relações Exteriores (MRE), consolidando a agenda como parte da retomada das relações de cooperação Sul-Sul do governo brasileiro.

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