Publicado em 28/05/2026
Foto: Reprodução/Assessoria
Por Redação
O vereador Zé Lopes (Republicanos) utilizou a tribuna e as redes para manifestar apoio ao protesto dos servidores da Educação municipal, realizado na manhã desta quinta-feira (28) em frente à Câmara de Rio Branco. O parlamentar subiu o tom contra a gestão do ex-prefeito Tião Bocalom, endossando o pleito da categoria por recomposição salarial e denunciando o sucateamento estrutural das escolas da capital.
A manifestação dos trabalhadores ocorreu como reação imediata à liminar judicial que determinou a suspensão da greve da rede de ensino. Para Zé Lopes, a revolta da categoria é “mais do que justificada” diante do que classificou como má condução financeira por parte do Poder Executivo.
“O Bocalom passou a eleição todinha dizendo que a prefeitura tinha mais de 400 milhões de reais de dinheiro em caixa. Ele passou a eleição todinha dizendo que a prefeitura tinha muito dinheiro, que estava realizando obras com dinheiro próprio”, relembrou o vereador, apontando contradição na atual justificativa do município de que esbarrou no limite de gastos com pessoal para não conceder o reajuste.
Denúncias de privilégios e inchaço na folha
Durante o discurso, o parlamentar criticou duramente o critério político utilizado pela gestão para a concessão de reajustes e a criação de postos de trabalho temporários, em detrimento dos servidores de carreira.
Aumento no escalão superior: “Quando assumiu o mandato, a primeira coisa que ele fez foi dobrar o salário dos secretários, de 15 mil para quase 30 mil reais”, apontou Zé Lopes.
Cargos de confiança: O vereador também denunciou o acréscimo de mais de 700 cargos comissionados na estrutura municipal, os quais, segundo ele, teriam sido distribuídos por indicações políticas de parlamentares aliados.
Dois pesos, duas medidas: “Quando eles querem, eles não observam o limite [da Lei de Responsabilidade Fiscal]. Agora, quando é para valorizar o trabalhador, o professor, aquela categoria que está cuidando do futuro dos nossos filhos, eles não fazem”, criticou.
Rifas para consertar ar-condicionado e problemas estruturais
A rotina de fiscalização das unidades de ensino também foi apresentada pelo vereador como prova do “desrespeito” com a área. Lopes relatou a falta de materiais didáticos e de profissionais de apoio, além do atraso crônico na entrega de uniformes, que muitas vezes chegam aos estudantes apenas no mês de setembro.
O cenário de abandono, segundo o parlamentar, obriga a comunidade escolar a fazer malabarismos financeiros para garantir o funcionamento básico das salas de aula. “Já cansei de ver ar-condicionado quebrado e pais e professores fazendo rifa para levantar dinheiro para consertar os equipamentos da escola”, desabafou.
Alocação de recursos sob questionamento
Para embasar a tese de que há dinheiro disponível no caixa do município, Zé Lopes listou os montantes milionários investidos pela prefeitura em obras de infraestrutura e fomento econômico, contrastando-os com a realidade da periferia.
| Projeto / Obra Citada | Volume de Investimento Estimado |
| Reforma do Mercado Elias Mansour | R$ 30 milhões |
| Construção de Viaduto | R$ 30 milhões |
| Implantação de Fábrica de Soja | R$ 20 milhões |
O vereador encerrou seu posicionamento afirmando enxergar um modelo político prejudicial baseado em uma “inversão de prioridades” que, segundo ele, não é exclusividade do município. “Essa inversão de prioridades não é só na Prefeitura de Rio Branco. Ela está no governo do Estado também, deixando os mais carentes e os mais pobres sempre de lado”, concluiu.

