20.3 C
Rio Branco
quarta-feira, 13 de maio de 2026
O RIO BRANCO
BrasilGeral

Opinião | CPI do INSS termina como palco de disputa política e falta de relatório vai virar mote de campanha

Publicado em 28/03/2026

Integrantes da comissão vão usar o resultado para pedir voto este ano

Por Francisco Leali | ESTADÃO

Relator da CPI do INSS resgata discurso de Barroso contra Gilmar e provoca confusão na sessão

Comissão faz leitura do relatório final após STF recusar a prorrogação dos trabalhos. Crédito: TV Senado

O final da CPI do INSS não poderia ser mais explícito. A comissão parlamentar que começou como palco meramente político encerrou seus trabalhos do mesmo jeito.

Investigação sobre fraudes e desvios de aposentadorias? Essa já estava sendo feita pela Polícia Federal e outros órgãos públicos e vai continuar na esfera judicial.

A CPI deixa como herança o que já era conhecido do Congresso: quando os dois polos se enfrentam, ao invés de apurar o que se deve, a comissão termina não chegando a lugar algum.

CPI termina sem relatório final após rejeição de texto pela maioria
CPI termina sem relatório final após rejeição de texto pela maioria Foto: Reprodução via TV Senado

No caso da CPI do INSS pode-se dizer que ela chegou sim a um sítio próprio: o do embate por cortes na internet, da lacração, das blagues desmedidas, dos insultos e baixarias.

Enquanto a oposição encontrou em Lulinha, o filho do presidente, o melhor alvo para por Lula no trono dos suspeitos, os governistas arrastaram os Bolsonaro para o mesmo patamar.

Os relatos sobre as fraudes desde o começo pareceram indicar que os dois lados políticos poderiam estar apontando na direção errada. Havia uma quadrilha agindo e atuando nos dois governos. Quando o caso veio a público, uma gestão tratou de por a culpa na outra. Ficou nisso em quase todas as reuniões.

Era mais importante dizer que a fraude começou em Bolsonaro ou foi gerida por Lula do que seguir o rastro do escândalo financeiro.

A possibilidade de arrastar para dentro da CPI ministros do STF que mantiveram negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro foi a cereja com que a oposição sonhou dourar os trabalhos da comissão. Veio a reação da corte e as tentativas de apuração barradas por decisões liminares.

Nesta madrugada de sábado, 28, o relatório final foi rejeitado com a ação direta dos governistas. A ideia era impedir a aprovação do relatório do deputado Alfredo Gaspar e aprovar outro. O presidente da CPI, senador Carlos Viana, da oposição, travou a segunda votação.

A oposição ganha, assim, o discurso de que a gestão Lula blindou o resultado de uma apuração que incluía como indiciado o filho do presidente ainda que o texto estivesse no condicional, indicando que nem mesmo o relator tinha como cravar a acusação que fizera.

Já os governistas podem dizer que a versão oficial não incluía todos os envolvidos e seu texto era o da “maioria”, o que pode não ser forte o suficiente em ano eleitoral.

Os dois lados já gravaram suas falas na reunião e neste mesmo sábado não será muito difícil encontrar os primeiros videozinhos em redes sociais. A maioria ali vai atrás de voto este ano e o palco da CPI tornou-se, para muitos deles, o principal cabo eleitoral.


Opinião por Francisco Leali

Coordenador na Sucursal do Estadão em Brasília. Jornalista, Doutor em Comunicação e pesquisador dedicado a temas de transparência pública.

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Saneacre e Saerb se unem para promover serviços de saneamento e atividades educativas na Expoacre

Raimundo Souza

Neste sábado (11) o Rio Acre amanheceu com mais de oito metros

Raimundo Souza

Mega-Sena sorteia nesta quinta prêmio acumulado em R$ 7,5 milhões

Redacao

Café acreano ultrapassa fronteiras e conquista novas oportunidades na Europa

Raimundo Souza

Movimentação de fãs marca início da noite na Arena de Shows da Expoacre, com público ansioso para apresentação de Gusttavo Lima

Raimundo Souza

Resolução institui Frente Parlamentar Evangélica na Câmara de Rio Branco

Kevin Souza