Publicado em 28/03/2026
Integrantes da comissão vão usar o resultado para pedir voto este ano
Por Francisco Leali | ESTADÃO
Relator da CPI do INSS resgata discurso de Barroso contra Gilmar e provoca confusão na sessão
Comissão faz leitura do relatório final após STF recusar a prorrogação dos trabalhos. Crédito: TV Senado
O final da CPI do INSS não poderia ser mais explícito. A comissão parlamentar que começou como palco meramente político encerrou seus trabalhos do mesmo jeito.
Investigação sobre fraudes e desvios de aposentadorias? Essa já estava sendo feita pela Polícia Federal e outros órgãos públicos e vai continuar na esfera judicial.
A CPI deixa como herança o que já era conhecido do Congresso: quando os dois polos se enfrentam, ao invés de apurar o que se deve, a comissão termina não chegando a lugar algum.

No caso da CPI do INSS pode-se dizer que ela chegou sim a um sítio próprio: o do embate por cortes na internet, da lacração, das blagues desmedidas, dos insultos e baixarias.
Enquanto a oposição encontrou em Lulinha, o filho do presidente, o melhor alvo para por Lula no trono dos suspeitos, os governistas arrastaram os Bolsonaro para o mesmo patamar.
Os relatos sobre as fraudes desde o começo pareceram indicar que os dois lados políticos poderiam estar apontando na direção errada. Havia uma quadrilha agindo e atuando nos dois governos. Quando o caso veio a público, uma gestão tratou de por a culpa na outra. Ficou nisso em quase todas as reuniões.
Era mais importante dizer que a fraude começou em Bolsonaro ou foi gerida por Lula do que seguir o rastro do escândalo financeiro.
A possibilidade de arrastar para dentro da CPI ministros do STF que mantiveram negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro foi a cereja com que a oposição sonhou dourar os trabalhos da comissão. Veio a reação da corte e as tentativas de apuração barradas por decisões liminares.
Nesta madrugada de sábado, 28, o relatório final foi rejeitado com a ação direta dos governistas. A ideia era impedir a aprovação do relatório do deputado Alfredo Gaspar e aprovar outro. O presidente da CPI, senador Carlos Viana, da oposição, travou a segunda votação.
A oposição ganha, assim, o discurso de que a gestão Lula blindou o resultado de uma apuração que incluía como indiciado o filho do presidente ainda que o texto estivesse no condicional, indicando que nem mesmo o relator tinha como cravar a acusação que fizera.
Já os governistas podem dizer que a versão oficial não incluía todos os envolvidos e seu texto era o da “maioria”, o que pode não ser forte o suficiente em ano eleitoral.
Os dois lados já gravaram suas falas na reunião e neste mesmo sábado não será muito difícil encontrar os primeiros videozinhos em redes sociais. A maioria ali vai atrás de voto este ano e o palco da CPI tornou-se, para muitos deles, o principal cabo eleitoral.
Opinião por Francisco Leali
Coordenador na Sucursal do Estadão em Brasília. Jornalista, Doutor em Comunicação e pesquisador dedicado a temas de transparência pública.

