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Acre vive estado de alerta com alta de casos de dengue e baixa cobertura vacinal

Publicado em 02/05/2025

Mesmo com a disponibilização da vacina contra a dengue para adolescentes de 10 a 14 anos, o Acre enfrenta uma preocupante baixa cobertura vacinal em 2025, agravando a crise sanitária que já coloca o estado entre os líderes em incidência da doença no Brasil.

Apesar da inclusão da vacina Qdenga no calendário nacional de imunização, por iniciativa do Ministério da Saúde, os dados mais recentes revelam que os esforços ainda não surtiram o efeito esperado no Acre. Segundo o Boletim Informativo nº 01/2025 da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), entre janeiro e abril, apenas 4% do público-alvo recebeu a primeira dose da vacina, enquanto a segunda dose alcançou somente 1,91% de cobertura. A meta estabelecida é de 95%.

Em comparação com a média nacional — também baixa, mas ainda superior — os números acreanos preocupam: o Brasil registra cobertura de 13,4% para a primeira dose e 3,89% para a segunda. Em 2024, o município de Jordão havia se destacado positivamente, com 60,33% de cobertura vacinal na primeira dose, mas em 2025, nenhuma cidade acreana chegou sequer à metade da meta, revelando possíveis entraves de acesso ou hesitação por parte da população.

A baixa adesão à vacina tem reflexos diretos no avanço da doença. O Acre ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional de incidência de dengue, com 1.386 casos prováveis para cada 100 mil habitantes. O cenário acende o alerta nas autoridades de saúde e reforça a urgência de campanhas mais eficazes de vacinação, especialmente nas áreas de difícil acesso e entre os grupos mais vulneráveis.

Para além dos números, a situação também se reflete no cotidiano dos acreanos. Unidades de saúde estão sobrecarregadas, e o aumento no número de casos tem impactado diretamente a rotina da população. A gravidade do quadro exige uma resposta rápida e coordenada por parte das gestões estadual e municipais.

A expectativa é que, ao longo do segundo semestre, as ações sejam intensificadas para ampliar a cobertura vacinal e conter o avanço da dengue no estado. A meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) segue sendo atingir, até o fim do ano, pelo menos 95% do público-alvo vacinado.

Casos em alerta

Com quase 8 mil casos prováveis registrados até esta semana, o Acre permanece entre os estados com maior incidência proporcional de dengue em 2025. Segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, já são 7.972 casos prováveis, resultando numa taxa de 891,4 casos a cada 100 mil habitantes.

O estado figura atrás apenas de Minas Gerais e do Distrito Federal no ranking nacional. No país, mais de 4,2 milhões de casos prováveis de dengue foram contabilizados este ano, com 1.937 mortes confirmadas.

Entre os municípios acreanos, Rio Branco lidera em número de notificações, seguido por Cruzeiro do Sul e Sena Madureira. Para tentar frear o avanço da doença, o governo do estado tem investido em ações de conscientização, mutirões de limpeza e visitas domiciliares com foco no combate ao mosquito Aedes aegypti.

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