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quarta-feira, 15 de julho de 2026
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Acre

Da indústria à floresta: Artesã acreana cria linha de calçados autorais com insumos locais após capacitação do Sebrae

Publicado em 15/07/2026

Foto: Divulgação

Por Alessandra Karoline

A união entre conhecimento técnico, sustentabilidade e valorização cultural está transformando a trajetória de artesãos no Acre. Um dos exemplos mais marcantes dessa mudança é o da empreendedora Nayara Melo, fundadora da marca Nayaac (@nayaac.oficial). Com 11 anos de experiência no setor de calçados, Nayara reformulou completamente seu modelo de negócios após participar da formação Planejamento e Modelagem de Negócios do Artesanato Acreano, promovida pelo Sebrae em 2025.

O que antes era uma produção voltada à comercialização de calçados com insumos da indústria convencional deu lugar a uma linha autoral de sandálias inspiradas na identidade, na cultura e na biodiversidade da Amazônia.

Foto: Divulgação

O diferencial da nova linha de Nayara está no respeito à natureza e no uso de insumos locais. As peças deixaram de carregar o padrão industrial para ganhar a personalidade de elementos tipicamente acreanos.

A designer utiliza em suas criações materiais como:

Fibra de buriti: que confere textura e resistência às peças;

Sementes de açaí: aplicadas em detalhes e acabamentos;

Outros elementos naturais da região: promovendo a economia circular e o manejo sustentável.

“Trabalho com calçados há 11 anos e hoje estou com uma proposta artesanal, que requer criatividade e uso de materiais regionais. Essa formação do Sebrae foi um divisor de águas para a minha vida e para o meu negócio. Foi a partir dela que consegui estruturar e transformar esse projeto em realidade”, relata a empreendedora.

O projeto do Sebrae que impulsionou a mudança no negócio de Nayara foi realizado ao longo de quatro meses e gerou um impacto significativo em todo o estado. Ao todo, a capacitação beneficiou mais de 100 artesãos de dez municípios acreanos.

A iniciativa teve como destaque a forte inclusão de comunidades tradicionais, contando com a participação ativa de representantes de diversas etnias indígenas locais, tais como:

  • Puyanawa

  • Shanenawa

  • Apurinã

  • Huni Kuin

  • Marubo

Durante as oficinas, foram abordados temas estratégicos para a profissionalização do setor, incluindo modelagem de negócios adaptada ao artesanato, gestão da produção, precificação correta e canais de comercialização.

Foto: Divulgação

Para o analista do Sebrae no Acre, Aldemar Maciel, o foco da iniciativa vai muito além do aperfeiçoamento técnico da produção; o objetivo central é mudar a percepção do artesão sobre o seu próprio trabalho, preparando-o para o mercado competitivo.

“Nosso papel é fazer com que o artesão enxergue seu trabalho também como uma real oportunidade de negócio. Queremos agregar valor aos produtos e ampliar a competitividade desses profissionais por meio de uma gestão eficiente, precificação justa, comercialização estratégica e, consequentemente, do acesso a novos mercados”, explica o analista.

A história de Nayara Melo exemplifica como a capacitação de microempreendedores pode revitalizar o mercado de moda e artesanato local, transformando recursos naturais renováveis em produtos de alto valor agregado e fortalecendo a identidade cultural do Acre para o resto do país.

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