Publicado em 27/05/2026
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Por Redação
Em uma mudança repentina de estratégia política, a bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados recuou de sua postura anterior e anunciou apoio ao fim da jornada de trabalho na escala 6×1 (seis dias de atividade para um de descanso). A legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro e do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi além e passou a defender formalmente a implementação do modelo 4×3 (quatro dias trabalhados por três de folga).
O novo posicionamento foi oficializado no plenário da Câmara pelo líder do partido, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
“Tomamos a decisão de apresentar destaque de preferência para votarmos a escala 4×3 porque somos a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa e descansar com a família”, justificou Cavalcante, aproveitando para criticar os adversários políticos. “Não somos hipócritas nem oportunistas como este governo. Quero ver os petistas colocando sua digital.”
Tramitação e bastidores na Câmara
Até então, o PL vinha se posicionando de forma contrária à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho, alinhando-se às críticas do setor produtivo e subindo o tom contra uma pauta que é considerada prioritária para a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A análise da proposta havia avançado na segunda-feira (25) durante reunião de uma comissão especial na Câmara, mas acabou suspensa após um pedido de vista (tempo extra para análise) apresentado pelo deputado Mauricio Marcon (PL-RS), o que travou temporariamente a votação.
De acordo com o relator da matéria, deputado Leo Prates (PDT-BA), a expectativa é de que o debate seja retomada nesta quarta-feira (27), com possibilidade de o texto ser encaminhado ao plenário principal da Casa até quinta-feira (28). O texto relatado por Prates prevê uma redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, estabelecendo um período de transição de até 14 meses após a promulgação da proposta.
Pressão sobre a esquerda
Durante o seu pronunciamento, Sóstenes Cavalcante fez um apelo direto a parlamentares do PT, do Psol e de outras siglas de centro e de esquerda, que historicamente levantam a bandeira da redução da jornada trabalhista.
“Já que vocês dizem que defendem o trabalhador, votem conosco. Para acabarmos com essa malfadada escala 6×1. Nós vamos votar a favor da escala 4×3 e aí veremos em que Brasil vivemos”, provocou o líder do PL.
O debate sobre a flexibilização das jornadas de trabalho divide opiniões no Congresso e na sociedade civil. De um lado, os defensores da PEC sustentam que a extinção da escala 6×1 é fundamental para garantir a saúde mental, o bem-estar e a qualidade de vida da classe trabalhadora.
Por outro lado, associações de classe empresariais e entidades representativas do setor produtivo manifestam forte preocupação com os impactos econômicos da medida. Segundo o setor patronal, uma mudança drástica ou a adoção de modelos como o 4×3 pode acarretar em um aumento expressivo nos custos operacionais das empresas, que precisariam reestruturar quadros de funcionários e turnos para manter o ritmo de produção e atendimento.

