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Publicado em 14/04/2026

A inteligência artificial será capaz de pôr fim à ignorância natural dos nossos povos? Os nossos partidos políticos já se revelaram incapazes de transformar seus povos — em particular, os nossos eleitores — quando são alçados a exercer a sua soberania?

Para os nossos representantes políticos, a soberania popular não existe quando estão instalados no poder e passam a tomar suas decisões, até mesmo aquelas que afetam diretamente a maioria da nossa população.

No nosso país, apenas nos períodos pré-eleitorais o nosso povo é tido, ouvido e aclamado como soberano. Daí a expressão “O poder emana do povo” ser sempre a mais ouvida e a mais repetida às vésperas das nossas eleições. Entretanto, passadas as eleições, os seus próprios eleitores sequer conseguem revê-los; isto para evitar que ouçam de seus eleitores que foram enganados e que estão se sentindo arrependidos.

Como no nosso país os nossos partidos políticos nascem e morrem com bastante frequência, justamente por não se comportarem como deveriam, jamais a nossa democracia se fortalecerá. Pior ainda: não são as convicções políticas dos nossos candidatos, e sim suas próprias conveniências que os empurram a trocarem de partido.

A mortandade dos nossos partidos já se revelou um mal em si mesmo; para provar, dos nossos atuais 81 senadores e 513 deputados federais eleitos em 2022, mais de uma centena já trocaram de partido. E quem poderá dar um basta nesta bagunça partidária? De uma coisa tenhamos a absoluta certeza: somente os nossos futuros congressistas, já que os do passado não chegaram a tanto. Muitos deles, por terem conseguido se eleger porque trocaram de partido, por certo se oporão às mudanças que os obriguem a cumprir o que existe nas melhores democracias: o que denominamos de fidelidade partidária.

Os partidos políticos, de antemão, deveriam se prestar para orientar os seus potenciais candidatos e seus eleitores a se posicionarem, sobretudo nas eleições. Neste particular, os EUA e a Inglaterra servem como exemplos, já que, em ambos, o troca-troca partidário não existe.

No nosso país, os nossos partidos se prestam, antes de qualquer coisa, para atender aos interesses dos seus candidatos e, por um determinado tempo, dos partidos que lhes cederam legendas para suas candidaturas.

Na nossa próxima disputa presidencial, o ex-governador Ronaldo Caiado, do Estado de Goiás, tendo sido eleito e reeleito pelo hoje apelidado União Brasil, ao pretender se candidatar à Presidência da nossa República, teve o seu nome vetado pelo seu próprio partido e filiou-se ao PSD, o partido do engenhoso Gilberto Kassab.

Não será assim que a nossa democracia cumprirá sua efetiva missão.

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