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sábado, 25 de abril de 2026
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Panorama Político

Transferência de voto não depende apenas do transferidor, mas do cenário e de quem está na disputa

Publicado em 25/04/2026

Muitos cientistas políticos e até colegas jornalistas e analistas usam alguns exemplos, numa desesperada tentativa de sustentar a velha narrativa: votos não se transfere. Pois bem, citam três casos da antiga Frente Popular do Acre (FPA): Marcos Afonso (PT), em 1996, que foi derrotado por Mauri Sérgio (MDB) na disputa pela Prefeitura de Rio Branco; o de Edvaldo Magalhães (PC do B), em 2010, que obteve apenas 19% dos votos na disputa para o senado e perdeu para Sérgio Petecão (PMN), que voltou a jogar na direita, após 12 anos na ponta esquerda; e o de Perpétua Almeida, em 2014, que levou uma surra de votos de Gladson Cameli (PP).

No campo da direita, também existem alguns casos, como por exemplo, Ariosto Miguéis, em 1988, que foi derrotado por Jorge Kalume (PDS – hoje PP), na disputa pela Prefeitura de Rio Branco; Osmir Lima, na disputa pelo governo, em 1990, quando o MDB mandava no Acre, mas não conseguiu evitar sua derrota para Edmundo Pinto na disputa pelo governo; Socorro Neri (PSB), que mesmo com apoio do governador Gladson Cameli, em 2020, foi superada por Tião Bocalom (PP) e não conseguiu ser reeleita prefeita de Rio Branco e, mais recentemente, Ney Amorim (Podemos), que apesar do apoio do governador Gladson Cameli, foi derrotado por Alan Rick (União Brasil), em 2022.

Mas esses analistas esquecem de citar os detalhes em cada uma dessas disputas eleitorais. Marcos Afonso perdeu para Mauri Sérgio, que era deputado federal bem avaliado e, de última ora, recebeu apoio decisivo do então governador Orleir Cameli, quando a cidade simplesmente “azulou” no dia da eleição; Edvaldo perdeu para Petecão, que obteve apoio de todas lideranças de direita, uma vez que ele havia rompido com a esquerda, após um caso de 12 anos; Perpétua foi derrotada pelo deputado federal Gladson Cameli, que havia rompido com a Frente Popular e retirado o partido da base governista e caiu nas graças dos eleitores liberais e os conservadores.

Ariosto perdeu para Jorge Kalume, que perdeu o governo para Nabor Junior, em 1982, por poucos votos e ainda tinha muito prestígio político, sobretudo em Rio Branco; Osmir disputou o governo com Edmundo Pinto e Jorge Viana, dois candidatos fortes. Tanto que foram para o segundo turno. Viana com apoio dos partidos de esquerda e Pinto empurrado pelas lideranças do PDS, entre as quais o prefeito de Rio Branco,

Jorge Kalume. Vale lembrar que Osmir foi vítima do chamado fogo amigo do MDB. Ele pagou os ônus por ser candidato oficial, mas quem pegou os bônus foi Viana, que fez acordo com alguns caciques emedebistas e várias secretarias foram usadas em favor de sua candidatura.

No caso da prefeitura Socorro Neri, esta optou por não se filiar ao PP, à época. Por isso, mesmo tendo apoio do governador Gladson Cameli, os secretário e ocupantes de outros cargos estratégicos, embarcaram com Tião Bocalom, afinal, ele era filiado ao PP, partido que estava e continua no poder. Além disso, o valor do Fundo Eleitoral dos partidos que apoiaram Bocalom era dez vezes maior do que o PSB, partido pelo qual a prefeitura disputou a reeleição. Como se não bastasse, Socorro ainda foi vítima de uma campanha difamatória do PT e dos demais partidos da extinta Frente Popular e pagou os ônus por se encontrar no poder, mas os bônus foram para Bocalom, candidato de oposição.
O ex-deputado Ney Amorim também viveu, praticamente, o mesmo drama. Ele lançou sua candidatura somente do dia da convenção e as lideranças do governo já estavam fechadas com Alan Rick. Tanto que, quando Ney chegou ao Sesc-Bosque, local da convenção, já encontrou Alan no palanque.

Amorim foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa por duas vezes consecutivas, sempre no PT e com apoio dos demais partido da extinta Frente Popular. Portanto, não tinha à época familiaridade com a direita e tampouco com as alas liberais e conservadoras. Alan, esteve na Frente Popular, mas nunca se envolveu, diretamente, com as causas defendidas pela esquerda. Aliás, ele rompeu antes mesmo de concluir seu primeiro mandato como deputado federal. Portanto, voto se transfere, sim, mas não depende apenas do transferidor, mas do cenário, do momento e de quem está, diretamente, na disputa.

Barba, cabelo e bigode
Em 2024, nas eleições municionais, o governador Gladson Cameli (PP) derrotou seus adversários em 20 das 22 prefeituras acreanas. A vitória do PP foi algo histórico. Venceu também na disputa pelas vagas nas Câmaras Municipais e elegeu o maior número de vice-prefeitos. Portanto, nem mesmo nos velhos tempos de Jorge Kalume o partido foi tão vitorioso.

Queimou a língua
A vitória dos candidatos apoiados pelo governador Gladson Cameli, em 2020, foi tão grande que queimou a língua de muitos analistas de plantão, sobretudo em Rio Branco. O MDB e os partidos de esquerda cantaram vitória de Marcus Alexandre em primeiro turno, e foram derrotados. Fizeram o mesmo em Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Brasileia, mas foram derrotados pelo prestígio pessoal do governador.

A esquerda sabe
No fundo, a esquerda sabe que uma das duas vagas no Senado é do agora ex-governador Gladson Cameli (PP) e a outra e que quem ele apoiar. E ele já afirmou, publicamente, que apoia a reeleição do senador Marcio Bittar (PL) e a reeleição da governadora Mailza Assis (PP), sua colega de partido. O resta é especulação e conversa fiada de quem não tem mais votos e tampouco prestígio junto aos eleitores acreanos.

Transferência
Em 2004, as lideranças do PT elegeram o professor da Ufac, economista Raimundo Angelim prefeito de Rio Branco com a facilidade de quem empurra bêbado em ladeira; oito anos depois, lançaram o engenheiro civil Marcus Alexandre, um paulista e ilustre desconhecido dos eleitores e também elegeram com facilidade prefeito de Rio Branco. Dias provas de que voto se transfere, sim!

Outra prova
Na disputa pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, em 2024, a ex-deputada federal Jéssica Sales MDB), fila do ex-prefeito e ex-deputado Vagner Sales e da deputada Antonia Sales, chegou a ter mais de 60% das intenções de votos. No entanto, graças a prestígio e o carisma do governador Gladson Cameli, Zequinha Lima (PP), um comunista arrependido, foi quem venceu a disputa. Mais uma prova de que votos se transfere.

Mais duas provas
Em 1996, nas eleições municipais, o governador Orleir Cameli (PPB- hoje PP), transferiu votos e ajudou a eleger o deputado federal Mauri Sérgio (MDB) prefeito de Rio Branco. No mesmo ano, o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), elegeu Celso Pita, um negro carioca, como seu sucessor na Prefeitura de São Paulo. Os paulistas nunca gostaram de cariocas e à época o preconceito racial era muito maior que hoje.

Vão aprender
Quem enxerga um palmo adiante do nariz sabe que em se tratando de candidatura majoritária ninguém pode ser candidato de si. Mas, ao que parece, muitos políticos no Acre ainda não sabem disso. Vão ter que amagar derrota para aprender a lição. Além disso, política não é jogo de amador. Se fosse todo mundo obtinha mandato eletivo. Político que quer vencer tem que agir com habilidade, inteligência e muita prudência.

Chicão quer voltar
Após ser eleito vereador mais votado em Rio Branco, em 1992, deputado federal, em 1994 e vice-prefeito da capital, em 1996, Chicão Brígido (MDB) caiu na besteira de se misturar com os partidos de esquerda. Nunca mais ganhou nada. Esqueceram se explicar para Chicão que eleitores de esquerda nunca votou em quem é ou já esteve na direita.

Entrevista
Na noite desta sexta-feira, 24, conversei com Chicão Brígido, no programa Boa Noite Rio Branco, na TV Rio Branco-Rede Cultura. Ele atendeu convite do agora ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, se filiou ao PSDB e será candidato a deputado federal ou estadual. Apesar de ter colecionado várias derrotas, Chicão ainda tem muito prestígio nos bairros da periferia de Rio Branco, sobretudo na regional Estação Experimental.

Parceria
Deputada federal Socorro Neri, que foi eleita pelo PP, mas disputará a reeleição pelo MDB, partido pelo qual foi candidata a primeira vez, em 1992, conseguiu uma parceria que poderá lhe render muitos votos na luta pela reeleição. Ela terá apoio do ex-reitora do Ifac, professora Rosana Cavalcante, que vai disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. As duas têm muito prestígio, sobretudo na comunidade acadêmica.

Apelou para o tapetão
Senador Márcio Bittar (PL) afirma que o ex-senador Jorge Viana (PT) nação tem votos para vencer a disputa eleitoral com ele. Por isso, decidiu apear para o tapetão. Viana protocolou, no Supremo Tribunal Federal (STF), ação judicial acusando Bittar de irregularidades na aplicação de recursos federais, por meio de em emendas parlamentares. A ação será analisada pelo ministro comunista Flávio Dino, um comunista envolvido até o pescoço no escândalo de superfaturamento de R$ 48 milhões na compra de respiradores.

 

 

 

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